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NOVELA DIGITAL - Prólogo
Qual o significado da palavra "analógico"?
Qual o significado da palavra "digital"?
Em tecnologia, é a forma de como uma grandeza física varia em função de outra.
Quando a variação de uma grandeza acontece de forma "suave" ou "contínua", dizemos que ela é "analógica".
Quando essa variação acontece de forma "abrupta" ou "discreta", dizemos que ela é "digital".
Um exemplo bem simples para entender esses conceitos é imaginar a forma de como vencer obstáculos em terrenos acidentados.
Digamos que existam dois terrenos planos com uma diferença de altura de 10 metros entre eles.
Uma forma de permitir a passagem de um pedestre de um terreno para o outro é construir uma rampa. A outra é através de uma escada.
Ao deslocar-se de um terreno mais baixo para o mais alto através de uma rampa, o pedestre faz uma caminhada suave, desde que a rampa seja longa.
Ao deslocar-se através de uma escada, o pedestre ganha altura através de pequenos lances.
No primeiro caso, não é possível determinar com precisão a altura em que o pedestre está a cada momento do deslocamento. A forma de expressar de tal situação é meio vaga, ou "analógica".
No segundo caso, sabendo-se qual é o desnível do terreno e o número exato de degraus, é possível dizer com boa precisão a altura em que o pedestre se encontra. É possível expressar tal situação de forma númerica, ou "digital".
Escrito por Jonas às 05h45
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Novela Digital - Primeiro Capítulo
O que diferencia a TV digital da TV analógica?
O funcionamento da TV analógica depende da óptica, eletricidade e lógica fixa. O funcionamento da TV digital depende da óptica, eletricidade, lógica flexível, matemática e estatística. A TV analógica, nos primórdios, somente transmitia imagens, com o tempo, passou a transmitir outras mensagens.
A "gestação" da TV digital vem acontecendo no "ventre" da TV analógica. A primeira aplicação de TV digital aconteceu na década de 1970, quando as emissoras passaram a transmitir a hora certa para sincronizar a rede de repetidoras.
Uma importante aplicação das técnicas digitais foi a aplicação da "legenda oculta" (close caption), na década de 1980, pois permitiu aos deficientes auditivos acompanharem os noticiários através de um texto auxiliar.
Na ponta do telespectador, as técnicas digitais foram aplicadas no receptor de TV, tais como: controle remoto infra-vermelho, decodificador de legenda oculta, memória de canais prediletos, anotador de recados, etc.
Uma aplicação muito interessante, bem explorada no Reino Unido pela BBC, foi o teletexto, conhecido como CEEFAX. Este sistema envia, através da TV analógica, páginas e páginas de textos sobre os mais diversos assuntos, tais como: metereologia, utilidade pública, notícias, e alguns joguinhos.
A principal função, a transmissão de imagens em tempo real, continuou sendo realizada apenas pelas técnicas analógicas até a década de 1990.
Escrito por Jonas às 05h44
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Novela Digital - Capítulo Dois
Antes de se pensar em televisão digital, era preciso encontrar meios para converter as imagens em dados digitais. Somente após vencer esse desafio, seria possível pensar na transmissão das imagens digitalizadas.
O primeira beneficiária do desenvolvimento das técnicas de digitalizacão de imagens foi a indústria gráfica (as revistas e os jornais). As técnicas estavam no ínicio. Somente através de programas e computadores poderosos (e caros) era possível fazer alguma coisa.
As reproduções de imagens eram ruins, se comparadas ao método tradicional foto-químico-mecânico.
Os contornos das figuras eram serrilhados e a quantidade de cores limitadas. No entanto, era possível escolher uma infinidade de estilos de letra, tamanhos e formas de composição.
Escrito por Jonas às 05h44
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Novela Digital - Capitulo Três
A potência dos computadores gráficos aumentava. A cada geração, conquistavam-se mais velocidade de processamento e mais espaço para a memória.
Na década de 1980 havia chegada a hora da digitalização de filmes de cinema. Nas filmagens, os resultados de uma tomada de imagens podiam ser observados na hora. E melhor: era possível produzir efeitos especiais como nunca antes. Os fãs de Michael Jackson devem relembrar-se do video-clip "Thriller", no qual ocorre a transfiguração do astro da "música pop" em lobisomem.
E a televisão? Bem, a digitalização de imagens trouxe um sério problema para a transmissão de televisão: a conversão de imagens em dados provocava uma tremenda inflação de informações.
Escrito por Jonas às 05h44
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Novela Digital - Capítulo Quatro
Como embarcar um elefante num fusca?
Como acomodar as informações das imagens digitalizadas num canal de TV analógico?
Os cientistas tinham de resolver o segundo problema, embora houvesse alguma semelhança como primeiro.
As ondas de rádio, nas quais seriam transportadas as imagens digitalizadas são, por natureza, analógicas.
As técnicas digitais conhecidas, usadas na transmissão de textos desde o século 19 (telégrafo de Samuel Morse: espaço, ponto ou traço*, tudo-ou-nada, zero-ou-um), eram insuficientes para transportar tanta informação.
Era preciso aumentar a capacidade de transmissão numérica das transmissões analógicas.
Nesse ponto ocorre a primeira grande cisão entre as pesquisas americanas e européias.
Os americanos optaram pela modulação das ondas de rádio em amplitude (AM).
Nessa técnica, uma onda pode assumir oito níveis de amplitude discretos, logo, pode transportar, a cada momento, um valor numérico dentro de uma escadinha de oito degraus (zero-um-dois-tres-quatro-cinco-seis-sete).
Os europeus optaram pela modulação das ondas de rádio em frequência (FM). Nessa técnica, uma onda de rádio pode transportar, a cada momento, um valor numérico compreendido entre zero e 63, coordenado numa "tabela de lugares geométricos" de oito linhas por oito colunas.
O sistema americano de modulação veio a ser conhecido como 8-VSB, enquanto o sistema europeu, COFDM. Ambos "nasceram" com vantagens e desvantagens "complementares".
O sistema americano é, por natureza, menos sensível às interferências de descargas elétricas (faíscas de raios, velas de ignição de veículos e motorzinhos de liquidificador). No domínio da televisão analógica, essa interferência pode ser percebida pelo aparecimento de "traços e pipoquinhas" na imagem.
O sistema europeu é, por natureza, menos sensível aos efeitos de ondas rebatidas (pelo relevo ou edificações). No domínio da televisão analógica, a ocorrência dessas reflexões provocam o aparecimento de "fantasmas" ao lado direito das imagens recebidas.
O que um tinha de bom, o outro tinha de ruim...
Afortunadamente desde o início dos testes de transmissão, ambos os sistemas vêm melhorando o desempenho, através de ajustes na estrutura lógica-estatística-matemática.
Bem, a ampliação da capacidade de transporte de dados pelas ondas de rádio foi suficiente para embarcar o elefante no fusca?
Ainda não. Mas meio caminho estava andado.
A capacidade de transporte de um canal de televisão não era suficiente para transmitir esse excesso de informação. Mas sobrava um prêmio de consolação: a produção de TV nos estúdios podia ser digitalizada.
Durante a década de 1980 começou a digitalização dos estúdios de televisão. Das prosaicas superposições de duas imagens e os efeitos em "chroma-key" da era analógica (recortes de imagens sobre fundo azul), era então possível produzir efeitos especiais fantásticos, vistos principalmente nas reportagens de carnaval. Já era possível "dar um nó" nas imagens.
O problema da inflação de informações na TV digital seria resolvido somente na década de 1990.
*Notas
Nas telecomunicações, as técnicas digitais começaram antes das analógicas.
Para transmissão, o telégrafo de Morse usava apenas uma chave, do tipo botão de campainha.
Essa chave ligava e desligava a corrente elétrica em uma linha de comunicação que podia percorrer centenas de quilômetros de distância. O telegrafo foi usado desde os tempos das primeiras estradas de ferro.
Um toque curto, significa "ponto", um toque longo, significa traço. Toque nenhum, espaço.
Exemplo de Transmissão:
A .- B -... SOS ... --- ...
O telefone (também conhecido como "telegrafo falado), primeiro meio de comunicação elétrica analógica, apareceu um pouco depois, através de Graham Bell, Elisha Gray, Thomas Edison e o brasileiro Roberto Landell de Moura.
Escrito por Jonas às 05h43
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Novela Digital - Capítulo 5
Como embarcar um elefante num fusca? II
O elefante, ou melhor, o problema da inflação de dados, foi parcialmente resolvido com a expansão da capacidade de transmissão de símbolos numéricos das ondas de rádio.
Infelizmente, isso provocou a ruptura entre as pesquisas americanas e européias, que resolveram o problema por caminhos diferentes.
A esperança de se obter um único padrão de televisão digital mundial foi perdida.
Deixemos esse problema para mais adiante e vamos acompanhar o que foi feito para resolver o problema da inflação de dados.
Vamos recorrer ao que acontece com o cinema para entender a solução do problema.
Para se capturar o movimento de uma cena (por exemplo, um cavalo correndo), uma máquina fotográfica precisa fazer uma foto a cada 1/24 segundo, ou seja, a cada segundo são feitos 24 disparos. Obviamente, cada chapa congela posição em que o cavalo se encontrava no momento do disparo. No entanto, ao reproduzir as fotos na mesma velocidade que foram capturadas, a ilusão de movimento é restituída.
Ao se observar a olho nu as fotos da sequência filmada, percebe-se que há muito pouca diferença entre um quadro e outro, como também são pequenas as diferenças de tons no corpo do cavalo ou do céu, etc.
O principal trunfo da TV digital, devido a disponibilidade de circuitos de memória é a eliminação da transmissão daquilo que não se altera (redundâncias).
O que acontece é que após a captura de uma certa imagem, o trabalho da TV digital resume-se na "manutenção" da cena memorizada, isto é, transmitir apenas que muda de uma cena para outra.
Este truque permitiu uma drástica redução de dados a serem transmitidos. Todos ficaram surpresos ao perceberem que um canal analógico de TV poderia transportar quadro programas digitais ao mesmo tempo, em qualidade de imagem convencional, ou então, um único programa cuja qualidade de imagem rivaliza-se à do cinema, permitindo a exibição de cenas de TV em telas gigantes sem o aparecimento de falhas.
Escrito por Jonas às 05h42
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Novela Digital - Capítulo 6
O Elefante no Fusca III
Com todos os artíficios apresentados nos capítulos anteriores, finalmente já era possível embarcar o elefante no fusca. Mas ainda era preciso saber para que lado ia o fusca. Foi criada a técnica de previsão do movimento da imagem. E o problema se acabou. (Não sei se o drible de um jogador de futebol pode enganar essa técnica de previsão de movimento...)
Como pôde ser notado, as técnicas que permitiram a digitalização de imagens, usam e abusam dos recursos da matemática e estatística. Essas técnicas são conhecidas como técnicas de compressão de dados.
Quando quatro programas diferentes são embutidos em um canal, o aproveitamento das técnicas é levado ao máximo.
No entanto, o recurso de "zapping" (mudança de canais acelerada) tornou-se impossível.
Escrito por Jonas às 05h42
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Novela Digital - Capítulo 7
O sistema digital de televisão via satélite consolida-se pelo mundo afora.
Esse sistema, adotado pela maioria de países do mundo é o Europeu DVB-S. Foi introduzido no Brasil em 1996, através da Globo e Abril.
A TV digital via cabo tem dois grandes concorrentes, em versões dos padrões americano e europeu.
Esses sistemas permitem multiprogramação, interatividade (por terem canais de retorno em tempo real) e alta definição. A principal vantagem da TV a cabo é o assinante quem decide por qual tipo de serviço vai pagar.
A transição de sistemas também é decidida pelo assinante, que conta inclusive com a opção dos velhos sistemas analógicos, pois todos eles convivem pacificamente na transmissão via cabo.
A TV digital via cabo começa a engatinhar no Brasil.
Quanto à televisão terrestre, nem tudo são flores...
Escrito por Jonas às 05h41
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Novela Digital - Capítulo 8
Após 8 anos de lançamento do sistema ATSC (versão terrestre) nos EUA, a TV digital está presente em 1 milhão dos 20 milhões de lares cobertos por esse serviço.
Os radiodifusors americanos não estão satisfeitos com os resultados obtidos, pois o desejo deles é que a TV aberta amplie a sua fatia de participação no mercado e que o serviço volte a ser um sério concorrente da TV a cabo e satélite.
O Reino Unido é o líder da Europa. De 12 milhões de lares servidos pelo sistema DVB-T, cerca de 2 milhões já aderiram à novidade.
A TV aberta no Reino Unido é vista como um "serviço complementar" e a sua transição vem sendo subsidiada pelo governo.
O desenvolvimento dos sistemas de televisão digital não parou com o modelo americano e o europeu.
O modelo europeu derivou-se em outros dialetos, como o modelo australiano, japonês e francês. (Talvez venha a ter uma versão tupiniquim...)
A China, que pesquisa um modelo próprio, testa variações do modelo americano e europeu.
Escrito por Jonas às 05h41
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Novela Digital - Capítulo 9
Os maus resultados obtidos nas primeiras experiências da Televisão Digital Terrestre, devido à baixa penetração nos EUA e algumas falências na Inglaterra e Espanha, deram origem a mais duas "tentativas" híbridas.
Uma delas é o sistema Indiano "Telisar", que permite a transmissão silmultânea de dois programas de televisão em um único canal analógico NTSC.
O outro sistema é o norte-americano "dNTSC", criado pela Dotcast, que permite o serviço de televisão sob encomenda dentro de um canal analógico NTSC.
Ambos modelos foram apresentados na feira da NAB- Associação de Radiodifusores Americanos em 2002.
O sistema indiano não foi reconhecido pela União Internacional de Telecomunicações.
O sistema americano recebeu a autorização de funcionamento nos EUA pela FCC - Comissão Federal de Telecomunicações.
A Disney testou o sistema dNTSC durante dois anos em três cidades dos EUA. A Disney oferecia cem títulos de filmes de cinema por semana, graváveis em um equipamento especial, nas casas dos assinantes.
Embora os sistemas híbridos, americano e indiano, fossem limitados em relação à cobertura e capacidade de transporte dos sistemas "totalmente digitais", tinham a vantagem de evitar a duplicação dos sistemas de trasmissão (Estúdios, Canais, Transmissores, Repetidores).
Essas operações em duplicidade, conhecidas como "simulcast", são muito caras e forçam as emissoras apressarem o "apagão" da televisão analógica.
Isso pode levar aos telespectadores a necessidade inadiável de compra de conversores para que seus aparelhos analógicos continuem funcionando.
ADENDO
A Volta do Sistema dNTSC
(agora em alta definição).
Lançado em 2002 na feira da NAB, o sistema Analógico-Digital compatível dNTSC foi testado pela Disney, no modelo de TV sob encomenda "Moviebeam", permitia a transmissão de 100 filmes de cinema por semana, em qualidade digital padrão.
Após o período de testes em três cidades americanas durante dois anos, o sistema foi desligado e entrou em estado de latência.
Para surpresa de muitos, esse sistema volta em operação nos EUA em 26 cidades, cobrindo 50% dos mercados de televisão.
A novidade que agora a transmissão é em alta definição e "vai de carona" através dos canais tradicionais de televisão analógicos, em NTSC.
Parece estranho o retorno do sistema dNTSC, principalmente por que o Presidente dos EUA assinou o fim das emissões analógicas para o início de 2009, em favor do sistema ATSC.
Será que o "sessentão" NTSC vai "dar a volta por cima" mais uma vez?
Escrito por Jonas às 05h40
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Novela Digital - Último Capítulo?
Enquanto o Brasil pesquisa o modelo ideal de TV digital terretre, a fim de contemplar o telespectador com alguma forma de interatividade, os concorrentes mundiais de TV terreste, a cabo e satélite se degladiam.
Para complicar o quadro, surge agora mais uma personagem nessa interminável novela.
As velhas operadoras de telefone, que apanharam tanto para acompanhar o desenvolvimento das técnicas de comunicação digital, estão estreando um serviço de IP-TV nos EUA, Itália e Suíça nas suas (ociosas) linhas de comunicação em banda larga.
Curiosamente, esse novo serviço está sendo implementado ém áreas em que participação da TV a cabo convencional é muito baixa...
A IP-TV é a TV em protocolo internet, padrão mundial único (até que enfim!), permite ao assinante a assistir vários canais de TV em tempo real além de gravar programas e filmes "a la carte".
A interatividade é total e o assinante paga apenas pelo que usa.
Cogita-se adotar esse padrão em transmissões terrestres, o que permitiria alocar 20 canais de TV em um único canal convencional. No entanto, a técnologia para esse serviço ainda não está madura.
O grande desafio é reduzir alto custo dos receptores, pois tornam-se complicados como os computadores.
Um padrão de IP-TV universal, produzido em escala mundial, venceria esse desafio?
Escrito por Jonas às 05h38
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