TV Digital, a "Re - Volta"
Ficamos um tempinho fora da linha. Mas percebemos que o assunto ainda não terminou, há muito o que ser escrito. Agradecemos aos espaços cedidos pelo "Observatório da Imprensa" (Muchas gracias, Marinilda!) que "engordaram" a audiência de nosso Blog.
Vamos, então, as atualidades da área.
Gambiarras Maravilhosas
As gambiarras, também conhecidas como guirlandas luminosas, são instalações de lâmpadas elétricas, suportadas pelos próprios fios de alimentação.
As gambiarras são intensamente utilizadas durante períodos festivos, tais como quermesses juninas e natal.
Parece que a origem da palavra gambiarra vem da marinha italiana, isto é, fios esticados nos mastros dos navios para suportar bandeirinhas de sinalização.
No meio técnico, a gambiarra tem um significado ampliado: são soluções rápidas, desvios processuais usados em situações de urgência.
A gambiarra é aplicada com certa dose de reprovação, pois muitas delas acabam sendo "oficializadas".
Um divertido colega alemão-brasileiro adaptou o termo em "granbiagem".
(A interpretação do neologismo fica por conta de cada um...).
Mas afinal, o que é provisório, o que é definitivo?
"Provisório é o definitivo que dura um pouco menos..."
Olhando a tecnologia por essa perspectiva, todo produto industrial torna-se gambiarra.
Vamos agora acompanhar um pouco da história dessa gambiarra maravilhosa, chamada televisão.
A televisão é um sonho (ou pesadelo) antigo. Nas histórias antigas, Jasão é perseguido pelo "olho que tudo vê". Nas escrituras, a televisão é profetizada como "Monstro de um só Olho". Julio Verne, escritor do século 19, vislumbrou a televisão como um evento próximo.
Invariavelmente, as invenções são decorrentes das descobertas. E das necessidades humanas ou mercadológicas.
A descoberta do efeito foto-elétrico, manifestado no selênio e outros materiais, foi alvo de estudo de vários cientistas do século 19, entre eles, Hertz, Wilhelm Hallwachs e Thomson. A sua explicação veio de uma teoria de Albert Einstein, no início do século 20, válida até hoje.
O selênio, material foto-sensível metálico e espelhado, é também utilizado nos rolos impressores das modernas foto-copiadoras a seco.
O efeito foto-elétrico foi a chave para as transmissões elétricas de imagens, em outras palavras, a televisão.
Mas, como transformar imagens, variações de luz e sombra no espaço e tempo, numa corrente elétrica organizada?
Essa proeza coube ao cientista alemão Paul Nipkow.
Nipkow conseguiu decompompor e recompor as imagens em movimento com uma simples gambiarra: um disquinho de aço perfurado em forma de caracol, preso a um eixo-motor.
Através desse artifício, a imagem a ser televisionada era decomposta em linhas sequenciais, ponto-a-ponto. Os sinais luminosos decorrentes desse processo eram enviados ao dispositivo de selênio, transformando-se sinais luminosos em sinais elétricos análogos.
A recomposição da imagem era feita com uma lâmpada que variava o brilho em função da corrente elétrica recebida. Essa luz modulada era projetada em outro disco perfurado, em perfeito sincronismo com o primeiro. Os pontinhos luminososos decorrentes desse processo eram inscritos, linha-a-linha em uma tela de cinema e a imagem era reconstituida, graças a propriedade da retenção da luz na retina do olho humano.
A centenária televisão evolui bastante, mas as bases de Nipkow jamais foram abandonadas.
Recentemente, o representante de uma multinacional denunciou que o modelo brasileiro de TV digital poderá transformar-se em um "Frankenstein".
O sistema de televisão PAL-M, desenvolvido por engenheiros brasileiros na década de 1960, é visto por muitos como uma espécie de gambiarra. Tornou-se oficial em 1972 e continua prestando excelentes serviços ao País até hoje.
Os EUA, que têm uma televisão aberta muito parecida com a nossa (vive apenas da publicidade), poderão transmitir todas imagens de TV em formato panorâmico, capturadas à partir das novas câmaras digitais.
Isto significa que as imagens da TV analógica terão uma tarja preta na parte superior e inferior da tela de TV...
O objetivo desse artifício é enquadrar as imagens geradas em 16x9 nas telas de TVs antigas em 4x3, bem como "educar o povo" de que a TV analógica vai acabar em breve.
O tiro pode sair pela culatra; esse recurso vai aumentar a área de transmissão de dados da TV híbrida (dNTSC), e torná-la mais forte do que é, frente a TV totalmente digital: o sistema americano ATSC.
Essa gambiarra hibridizada poderá matar a TV digital pura. E salvar da obsolescência e do lixo ambiental cerca de 70 milhões de TVs que recebem imagens apenas por anteninhas internas, devidamente reforçadas por palhinhas de aço "Good-Brightness".
Um aviso final:
As palhinhas de aço são inflamáveis e conduzem eletricidade. Os resíduos da palhinha podem danificar o televisor se cairem nas áreas internas que processam alta tensão (até 28.000 volts).
Deixem o TV respirar e troquem essa gambiarra por uma antena externa.
Para saber mais:
http://negrjp.fotoblog.uol.com.br