MEMÓRIAS COLORIDAS
Enquanto o governo, empresários e cientistas estão organizando um fórum para definir as características gerais do SBTVD-T, além das alternativas para a implantação e transição da TV digital em seus respectivos campos de atuação, voltemos ao passado para relembrar a implantação da TV em cores no Brasil e seu tempo de transição.
Até onde sabemos, as primeiras transmissões em cores aconteceram de forma experimental, em 1963, por iniciativa da TV Tupi de S. Paulo. Na ocasião era transmitida semanalmente a famosa série da família Catwright, "Bonanza", no sistema americano NTSC. No Rio, a Excelsior transmitia o Show "Time Square". A Excelsior também fez alguns testes com o sistema CBS em São Paulo, nos Shows de Moacyr Franco e Bibi Ferreira.
Alguns testes da TV em cores foram feitos em circuito fechado. A TV Globo fez a primeira gravação externa em cores, em 1965, no Jockey Club do Rio. Estavam presentes a imprensa, o inventor do sistema PAL, Dr. Walter Bruch e o amigo Reynaldo Losso, engenheiro da Ampex. A França demonstrou o sistema SECAM na Embaixada do Rio de Janeiro.
O Brasil decidiu-se pelo sistema híbrido PAL-M. Em 1972 iniciavam-se as transmissões regulares de TV em cores (Festa da Uva, em Caxias do Sul.). Quando a TV em cores foi lançada em março daquele ano, um TV em cores de 27 polegadas custava aproximadamente 20 salários-minimos vigentes, três a quatro vezes mais caro que um congênere de 20 polegadas, em preto-e-branco.
O PROBLEMA ERA (E AINDA É) FALTA DE CONTEÚDO
A expectativa dos poucos proprietários dos caríssimos TVs em cores era que toda a programação passasse a ser transmitida em PAL-M. Mas não foi bem assim. O Brasil contava na época com aproximadamente 1 milhão de receptores em preto-e-branco. A produção de programas especiais era muito cara. A transição começou aos poucos.
Alguns modelos de TV em cores possuiam um pequeno relé de reversão de sistemas (semelhante ao das geladeiras) que produzia um "clique" quando a transmissão mudava de preto-e-branco para cores. A maior parte do tempo o relé ficava desligado...
A Globo já era a líder de audiência no País. Estreou sua programação com a peça "Meu Primeiro Baile" com o casal Gloria Menezes e Tarcísio Meira. (Quem levou a melhor na peça foi o paciente personagem interpretado por ... adivinhe quem.).
Todas as novelas da Globo continuaram sendo transmitidas em preto-e-branco. Apenas um filme de cinema era exibido diariamente em cores na "Sessão Coruja". Era raríssimo ver um anúncio comercial colorido.
Para o consolo dos ávidos telespectadores, "tele-vizinhos" e "tele-vitrineiros" (curiosos que se aglomeravam em frente às lojas de eletrodomésticos), além do padrão de cores de barras coloridas usados no início das transmissões, a Fundação Casper Líbero transmitia pela TV Gazeta todas às tardes um "video-tape" dos principais jogos de futebol da semana. A primeira transmissão da Copa do Mundo em cores aconteceu no México, em 1970. Mas na ocasião os brasileiros viram a Seleção chegar ao tricampeonato ainda em preto-e-branco.
O primeiro filme em cores transmitido pela Tupi foi o deslumbrante "Volta ao Mundo em 80 Dias", em qualidade técnica impecável. A Tupi transmitia semanalmente o programa "Clube dos Artistas" de Airton e Lolita Rodrigues. A iluminação de estúdio era perfeita.
A Bandeirantes tinha boa parte da programação voltada às séries, telejornalismo e cinema. Foi a emissora que mais transmitiu em cores nesta primeira fase, algo em torno de quatro horas de programação diária durante o horário nobre.
A primeira novela em cores da Tupi aconteceu em 1973, " O Machão", com o ator Antonio Fagundes, exibida em horário nobre. A primeira novela da Globo, também neste ano, " O Bem-Amado", com Paulo Gracindo, era exibida ao fim da noite.
http://www.teledramaturgia.com.br/bemamado.htm
Transmissões em cores eram exceção. A abertura da programação especial era feita de forma estridente. A TV Tupi exibia um desenho animado de um avião fazendo acrobacias.
A Bandeirantes apresentava um caleidoscópio de imagens aos sons do bailado "Quebra Nozes" de Tchaikowsky.
A transição total das emissoras de TV aconteceu por volta de 1982, quando praticamente toda a programação passou a ser exibida em cores.
A fabricação de TVs em preto-e-branco cessou em 1992, quando o número de receptores deTV em preto-e-branco igualou-se aos coloridos.
(No entanto pequenos aparelhos P&B chineses ainda são vendidos no mercado até hoje..).
Os padrões de testes mais populares, além das barras e bolas, apresentados antes das emissões em cores, era o pavão da Bandeirantes, herdado da norte-americana NBC:
http://www.ev1.pair.com/colorTV/colorTVlogos.html
E o padrão da TV Gazeta, sem qualquer conotação político-partidária, o mais bonito de todos:
http://negrjp.fotoblog.uol.com.br/photo20060816063128.html
A restauração do padrão da Gazeta partiu de uma foto em preto-e-branco . Desculpe-nos se a ordem das cores não está correta. Ficamos abertos às correções.
TRANSIÇÃO
Recentemente, fiquei sabendo que compradores de TVs de Plasma de telas gigantes reclamaram sobre a má qualidade de recepção desses TVs... ora, esses aparelhos estão preparados para imagens digitais, ainda não estão no ar. No início das transmissões em cores, as emissoras receberam enxurradas de queixas de telespectadores. Ou pela falta de programação colorida, ou por que os antigos TVs teimavam em exibir a programação apenas em preto-e-branco...
A transição da TV em preto-e-branco para cores demorou 20 anos, embora ainda há em funcionamento cerca de 6 milhões de aparelhos P&B em uso (10 % do total de TVs no Brasil).
Um receptor de TV dura em média 15 anos.
Autoridades acreditam que a transição da TV digital acontecerá em 10 anos. A viabilização da caixinha de conversão digital-analógica para o grande público é o "nó górdio" a ser desatado.
Europa e EUA estão revisando os planos de transição.
Outro problema é manter a mesma cobertura da TV analógica. O sistema digital japonês falhou em 8% das localidades analisadas. Esperamos que o padrão nipo-brasileiro supere essa deficiência.
Escrito por Jonas às 02h40
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