SBTVD PAL-M


SED - O sucessor do cinescópio ?

Há poucas semanas, comentei sobre os desafios que o cinescópio (tubo de imagens) teria de vencer para continuar na disputa do mercado de telas de TVs.

Pois é, mais um obstáculo se interpõe à este "velho guerreiro":  as novas normas ambientais da Comunidade Européia. Conhecidas como RoHS ( Restriction of Hazardous Substances) - Restrição sobre Substâncias Perigosas - uma série de materiais utilizados na fabricação de bens de consumo terão de ser substituídos. Entre eles, o chumbo, em nome da preservação ambiental.

Mas, onde entra o chumbo na fabricação do cinescópio?

O chumbo entra na composição do vidro. Sua finalidade é conter a indesejável emissão de raios-X.

O invevitável efeito de emissão de raios-X do cinescópio deve-se à altíssima tensão de aceleração de seus feixes eletrônicos: são necessários de 12.000 a 30.000 volts para fazer o tubo de imagens funcionar.

Quando os raios catódicos colidem na tela do tubo, a energia cinética dos elétrons é convertida em calor (inofensiva), luz visível (a parte que interessa) e raios-X (contidos pela blindagem de vidro plúmbleo).

É sabido que o cinescópio produz a maior quantidade de cores e tem o melhor contraste entre as telas disponíveis no mercado. É o mais simples sistema de produção de imagens.  Depende apenas de cinco vias de controle para o seu funcionamento: comandos vermelho, verde, azul, campos magnéticos horizontal e vertical.

Os sistemas matriciais ( tais como: Cristal Líquido, Plasma, LEDs - Diodos Emissores de Luz) utilizam coordenadas cartesianas para acionar cada ponto luminoso na tela. Isso significa que essas telas dependem de centenas de linhas de comando horizontais e verticais para produção de imagens. A complicação é tremenda, mas a indústria de microeletrônica digeriu bem esse desafio. Há um grande numero de chips oferecidos aos fabricantes de telas matriciais para qualquer tecnologia.

Então, o fim do Tubo de Imagens é inevitável? Talvez não. Há uma luz no fim do túnel.

Um sistema de exibição de imagens pouco conhecido pelo grande público é o SED - Surface-conduction  Electron-emiter Display,  ou em bom português, tela de imagens baseadas na emissão de elétrons à partir de uma superfície condutiva.

Esse sistema de exibição de imagens conserva dois princípios do velho cinescópio: emissão termo-iônica em alto vácuo e eletrofosforescência.  Os SEDs dispensam os sistemas de deflexão magnética vertical, horizontal e operam em baixa tensão (não produzem os perigosos raios-X e dispensam o chumbo na composição do vidro).

Por outro lado, as telas SED também adotam o modelo matricial de composição de imagens. (Numa visão simplista, pode-se dizer que cada pontinho luminoso dessas telas correspondem a um cinescópio tradicional...).

Os sistemas SED foram desenvolvidos pelas empresas japonesas Canon e Toshiba. É difícil dizer se as telas SED vão conquistar o sucesso comercial. Isso dependerá da eficiência energética, confiabilidade de funcionamento e custo. No mínimo, serão os monitores-padrão dos estúdios de TV, em função da supremacia do contraste e amplo campo de cores.

Abaixo, um site que apresenta todas as tecnologias citadas.

(Atenção para o gráfico do campo de cores e o promissor sistema de produção de imagens através dos LEDs - Diodos de Emissão Luminosa. Atenção também para o perfil de um tubo convencional e uma tela SED):

http://www.hdtvexpert.com/pages/better.htm

É difícil aceitar quando o complicado substitui o simples, mas isso já aconteceu.
O disco de vinil (linear) foi substituido pelo CD (gravação digital de música em "pacotes").
 
Os sistemas matriciais de exibição de imagens vão alavancar a TV digital. Mas a IP-TV vai superar a TVD serial?

Quanto às restrições européias sobre o uso do chumbo, fica outra pergunta:

Como evitar o uso do chumbo nos aventais dos técnicos em de raios-x e das paredes de contenção de radiação das usinas atômicas?



Escrito por Jonas às 08h20
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CONVERGÊNCIAS E DIVERGÊNCIAS

"Quando todos concordam, todos correm o risco de estarem errados."
John Kenneth Galbraith

"Toda unanimidade é burra."
Nelson Rodrigues

"Toda generalização é injusta, inclusive esta."
Paráfrase de Millôr Fernandes

Ao observar a história em seus mais diversos campos, podemos verificar o aparecimento dos fenômenos de divergência e convergência.

No campo da tecnologia, nossa praia, isso não foge à regra.

Durante o nascimento de uma nova tecnologia,  é natural o fenômeno de divergência. Afinal, nada é mais livre que a imaginação. Esse período é conhecido como "tempestade cerebral".

Alguns exemplos:

O primeiro sistema de distribuição de energia elétrica criado por Edison era baseado em corrente contínua. Tesla divergiu de Edison e criou um sistema de distribuição em corrente alternada.

As divergências entre Edison e Tesla recaíram até no campo pessoal: os cientistas  recusaram-se a receber um prêmio Nobel conjunto,  pelas pesquisas de física aplicada no campo da energia elétrica.

O sistema de Tesla provou ser mais adequado para o abastecimento das cidades, começou em 16 Hertz (embora a iluminação cintilava muito),  a Europa veio uniformizar o padrão de distribuição de corrente alternada em 50 Hertz e a América do Norte, em 60 Hertz. (Não nos esqueçamos das disputas comerciais...).

No entanto, para a transmissão de energia à grandes distâncias em MAT - Muito Alta Tensão, o sistema em corrente contínua provou ser mais vantajoso,  pois as linhas de transmissão são mais simples e a perda de energia por radiação eletromagnética é menor que nos sistemas em corrente alternada.

Nos primórdios do cinema, Edison optou pela exploração da novidade em máquinas de exibição individual, através de um pequeno visor conhecido como "kinetoscope",  enquanto os Irmãos Lumière partiram para a exibição pública do "cinematographe" através de grandes telas.

Embora o cinema coletivo de Lumière tornou-se popular no mundo inteiro,  o computador moderno privilegia à assistência de filmes de forma  individual.

QUANDO A CONVERGÊNCIA DÁ CERTO.

A convergência vai bem quando une o útil (comodidade) ao agradável (redução de custo).

Alguns exemplos:

Caneta-tinteiro, canivete suíço, rádio-vitrola,  rádio-relógio-despertador, multiprocessador de alimentos, multifuncionais em escritórios: copiadora, fax, scanner, impressora "tudo-em-um", celulares faz-tudo, etc, etc.

O exemplo da rádio-vitrola é emblemático. A RCA fabricava rádios. A Victor fabricava "Victrolas". Ambos aparelhos usavam  plugues, cordão de força, gabinetes de madeira, amplificadores, botões e alto-falantes.

O casamento era inevitável e trouxe vantagens com a "racionalização de materiais e sistemas".
Nasce a RCA-Victor e o primeiro rebento é o "dois-em-um", que tocava rádio ou vitrola em um único aparelho por quase a metade do preço.

UMA LUTA MAL RESOLVIDA.

Hoje nos deparamos com uma batalha que se arrasta há décadas: a indústria de eletrônica de consumo versus indústria de computadores.

O computador é um "convergente compulsivo": transforma tudo em reles dados, não importa o que é processado: música, eletrocardiograma, conversa telefônica, imposto de renda, etc. Em breve vão digitalizar o cheiro. A profecia do saudoso tele-mestre-cuca Zeloni, autor dos memoráveis molhos de macarronadas, será cumprida.

As perguntas que ficam  no ar são as seguintes: teremos casamento ou autofagia? A TV engole o computador ou o computador engole a TV?

Craig Mundie, da Microsoft,  criticou a criação de padrões de TV digital baseados nos paradigmas de transmissão linear. Afinal, a transmissão em "pacotes" (não-lineares) ocupam menos espaço no escasso espectro radioelétrico e são adequadas para  as "TVs de alta capacidade de processamento de imagens" ,  em outras palavras,  poderosos computadores...

Essa opinião não é compartilhada por todos. Há um paralelo interessante na história que indica um outro caminho. As observações são de um tecno-filósofo da IBM.

Quando o motor elétrico foi inventado era um bem muito caro. Tão caro que podia ser acoplado à vários utensílios domésticos. (Quem se lembra do motorzinho da máquina de costura que "turbinava" a pedaleira da vovó?).

Hoje o motor elétrico está presente em barbeadores, secadores,  liquidificadores, máquinas de lavar, cada qual em seu lugar.

O mesmo acontece com os computador: ele está presente em forma individual e reduzida  no forno de microondas, no rádio-relógio, no toca-discos laser, etc.

Pode ser que o modelo atual de TV "linear" analógica, digital ou híbrida, sobreviva nos sistemas a cabo. Não posso imaginar o mesmo para as transmissões via rádio, pelo menos em grande escala,  pois o finito espaço espectral rádio-eletrico será objeto de grandes disputas comerciais.

Termino esse arrazoado com uma curiosidade da óptica: uma lente "convergente"  (daquelas usadas pelos filatelistas)  converge uma imagem até o ponto focal ótimo, além desse ponto, a divergência volta a acontecer... 



Escrito por Jonas às 08h18
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Qual o sistema de modulação ideal para um dia tenebroso?

Essa pergunta está sendo debatida através do prestigioso fórum "Free Lists" , no qual participam engenheiros em telecomunicações e jornalistas especializados de várias partes do mundo.

http://www.freelists.org/archives/opendtv

É sabido que o sistema de TV aberta provou ser  o mais confiável em dias trágicos como em enchentes, furacões, terremotos, etc.

Os sistemas de TV a cabo rompem muito facilmente quando instalados em via aérea ou encharcados em vias subterrâneas, são vulneráveis a escavadeiras e roedores, além de dependerem de energia para o abastecimento dos repetidores.

Os sistemas via satélite em banda KU sofrem com chuvas ou nevascas e dependem de um sistema sofisticado de antena externa,  sensível e vulnerável aos vendavais.

Por outro lado, os tradicionais sistemas analógicos de TV aberta têm os transmissores bem protegidos, gerador diesel em caso de falta de energia, um alcance insuperável e permitem
a recepção em TVs portáteis movidos a pilha.

Quando faltou energia por uma semana em Florianópolis, o único meio de comunicação que não parou foram os radinhos de pilha e auto-rádios, embora as pilhas foram vendidas em cambio negro...

Após a passagem do furacão Katrina, os TVs mais vendidos (para reposição) foram os analógicos... 

Os americanos são muitos ciosos quanto à questão da segurança há muito tempo.

Durante a Segunda Grande Guerra (e principalmente pelo ataque a Pearl Harbour), a RCA desenvolveu um sistema de ligação automática dos rádios domésticos para transmissão de notícias urgentes e avisos de emergência.

O sistema era bastante engenhoso. Toda a vez que era necessário enviar uma notícia urgente, era injetada salvas de ondas de rádio-frequência na rede elétrica (PLC). Esse sinal ativava uma válvula de catodo frio (uma espécie de retificador controlado gasoso), que por sua vez ligava uma chave repetidora  que "aquecia" os antigos rádios valvulares para a transmissão de uma informação de emergência.

A Alemanha não ficou atrás. Durante a década de 1970, a empresa Blaupunkt desenvolveu um sistema de alerta aos motoristas sobre acidentes em rodovias, quando os auto-rádios são automaticamente ligados para avisar as pessoas sobre os riscos da travessia nas "Auto Bahns".

Por essas e outras, ainda há uma séria preocupação quanto à eficácia dos sistemas digitais que vão substituir a atual TV analógica nos próximos anos.

A CONTROVÉRSIA CONTINUA

A controversia sobre o sistema ideal continua: sistema de modulação 8VSB americano ou  COFDM europeu?

O sistema europeu tem "robustez variável", de modo que em dias de crise, a "alta definição" é abandonada e é possivel aumentar o alcance das transmissões em modo "definição padrão".

O sistema 8VSB é mais imune às intereferências impulsivas e às advindas de canais vizinhos, leva uma vantagem de 3 decibéis em relação ao sistema europeu.

Nada impede que o aumento de alcance seja obtido através de um aumento de potência de 3 dB nas ocasiões de crises...

É sabido que alcance do sistema digital americano 8VSB é inferior ao atual sistema analógico NTSC.

Os conversores 8VSB a serem distribuidos nos EUA através de subsídios,  não são eficientes na recepção com antenas internas e vão prejudicar a audiência de regiões distantes após o apagão analógico, programado para fevereiro de 2009.

A China surpreendeu o mundo, não entrou nesta controvérsia e adotou os dois sistemas de modulação...

O sistema de modulação COFDM usado pelos japoneses e testado no Brasil falhou em 8% das áreas analisadas. A comunidade científica brasileira  propõe o sistema de modulação SORCER, o qual usa dois transmissores para garantir a robustez do sinal recebido.

As as ações governamentais de subsídios, a necessidade de duplicação da infra-estrutura de comunicação para a transição em simulcast, o uso de caixinhas mágicas, a complicação da instalação de TV nas casas dos consumidores, o uso de diversidade espacial, a incompatibilidade dos formatos de telas (quando somem os logos [bugs] das emissoras e parte dos integrantes da imagem), o aumento da carga elétrica na matriz energética, tudo isso soa como "peso-morto" no esforço para fazer a TV digital deslanchar (quem vai patrocinar isso?).

IP-TV está aí, batendo às portas e pode fazer uma parceria muito proveitosa com a TV analógica em multiplexação temporal.

Não haveria quebra de contrato social, mas um ajuste entre as partes.

Acho que as técnicas digitais nunca suplantarão as analógicas em termos de robustez. Desta maneira, as duas tecnologias poderiam conviver nas telas indefinidamente.

Com a solução híbrida, chegaríamos a uma solução de compromisso.

Quem viver, verá.

Abaixo, uma história muito interessante...



Escrito por Jonas às 08h31
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