Desenvolvimento e Obsolescência
Desde que enveredei para a eletrônica industrial, meu unico consolo profissional pela TV tem sido reparar e adaptar alguns monitores de comando numérico e processos automáticos.
Embora não pareça, a minha vígilia com o SBTVD e a TVD pelo mundo afora, custa-me algumas horas de lazer, mas faço prazerosamente. Coisa de louco.
Os literários dizem a prosa pode ser bebida como cerveja enquanto a poesia deve ser degustada como um licor.
A minha mente, hipo, digo, hipertrofiada pela lógica, percebe que as ligações das idéias na prosa são fortes, enquanto na poesia, as ligações são fracas (forças de Van-der-Waals?).
A psicologia e a medicina psiquiátrica costumam classificar alguém como psicopata através de testes de associação de idéias ou quando tal indivíduo fala ou age de forma desconexa.
Temos aí um problema: talvez as faculdades cognitivas de um louco vão muito além da capacidade de percepção de um indivíduo "normal".
Uma vez lí um livrinho da série "primeiros passos", que resume as idéias do filósofo francês Michel Foucault (que não tem qualquer associação com as correntes elétricas parasitas) no seu "Tratado Geral da Loucura".
Das coisas malucas e interessantes relatadas por esse filósofo, é a questão de como a loucura tem sido tratada, ao longo do tempo, pelas "civilizações".
Enquanto nas sociedades primitivas, os loucos eram reverenciados como profetas e sábios, nas sociedades modernas, eles são convocados a participar de "prolongadas reuniões" com seus parceiros, sem pautas, local ou tempo definidos...
Faço esse longo preâmbulo, aparentemente com pouca conexão ao blog SBTVD PAL-M, para apresentar "alguns fragmentos" sobre a TVD mundial, coletados nos últimos meses
Já disse que a TVD deveria receber o veredicto das cruéis leis de mercado. Disse também, como aconteceu com a FM, a TVD poderá acabar se transformando em mais uma "mídia".
Mas os tempos são de escassez e as leis de mercado podem receber um "empurrãozinho", a fim de "embalar" (ou embrulhar?) a nova mídia.
Os ingleses justificam os subsídios à TVD pela "geração" de novos empregos que será propiciada pela G-3, que, por sua vez, depende de espectro para se viabilizar.
Aqui na terrinha o apelo pela educação soa forte.
Vimos a morte da TV Cultura (Associadas) e a sua ressurreição em 1967 (Fundação Padre Anchieta). Constatamos que torneiras estão se fechando (as subvenções governamentais) os anúncios de iogurte e programas popularescos estão voltando.
Por tudo isso, desconfiamos do discurso sobre as possibilidades educativas da TVD. Quem vai produzir tal conteúdo? Quem vai pagar essa conta?
Na terra do Tio Sam, onde reina a Economia de Mercado, estão tentando apressar a consolidação da TVD aberta (ou acabar com ela) associando tal medida à criação de redes de comunicação de defesa civil.
Após os estragos do furacão Katrina, o Senador John Mc Cain conclamou os legisladores a referendarem a data-alvo de encerramento da TV analógica em 2006, em benefício das comunicações de emergência.
O engenheiro-filósofo-jornalista Mark Schubin discorda. Na sua opinião, a suspensão do serviço de TV analógica só vai piorar a situação.
Em suas abalizadas observações, cita, entre outras coisas, que 7 entre 8 famílias preferem acompanhar as notícias via TV aberta, que nove entre dez estrelas do cinema preferem o sabonete Lux, que os TVs analógicos são mais baratos e que foram vendidos milhões deles nos anos passados, que duram em média oito anos, que os TVs de 5 polegadas custam 15 dólares e funcionam a pilha, que os TVs digitais são sorvedores de energia, que a destruição do Katrina acabaria também com as antenas dos sistemas de comunicação de emergência, etc, etc.
De qualquer maneira, a preocupação com a segurança está servindo de "argumento" para os subsídios aos conversores STB. Os republicanos sugerem 1 bilhão de dólares de subsídios aos pobrezinhos, os democratas, 2,5 bilhão de dólares a todos os prejudicados. Recentemente, o plano americano foi dilatado por mais dois anos.
O Canadá vai deixar o fim da TV analógica por conta do mercado.
A Holanda concluiu recentemente o processo de transição analógico-digital. O País é territorialmente pequeno e o esforço é justificado pelo ganho de canais livres para outros serviços.
Mas, de nada adianta apressar o fim da TV analógica com planos mirabolantes de subsídios; a TV digital, por mais que digam ao contrário, ainda está em tempo de gestação.
Apresentada como algo "definitivo" (tais como foram os sistemas de TV em cores CBS, da década de 50, o sistema europeu MAC e o sistema japonês MUSE na década de 80, analógicos, em média e alta definição respectivamente), a TVD continua evoluindo de MPEG2 para MPEG4, WM9, IP-TV, etc.
É certo que a evolução não pára nunca, mas no momento estamos passando por uma frenética revolução tecnológica.
Os ingleses, pioneiros na Europa em TVD, estão com vários problemas para avançar nesta tecnologia, não podem se esquecer das incompatibilidades das primeiras versões de conversores, geradas pelo próprio desenvolvimento das técnicas digitais.
TV não é computador. O mercado doméstico não consegue absorver tantas novidades em tão pouco tempo. O peso do legado é fator determinante.
Se o progresso gera obsolescência, quando vale a pena avançar?
Se a ordem é "experimentar", avancemos através do sistema PAL-M digitalizado.
A população brasileira, herdeira de um legado de 60 milhões de aparelhos de TVs analógicos, agradece.
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Aos queridos leitores do blog SBTVD PAL-M, nossos votos de boas festas e feliz ano novo.
Escrito por Jonas às 14h12
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