Na queda de um raio, a síntese da eletrotécnica.
O raio é conhecido e temido desde a antigüidade.
O conhecimento objetivo deste fenômeno toma corpo à partir de Benjamin Franklin, com a experiência da pipa empinada dentro de uma núvem carregada, em um princípio de tempestade.
Graças à Deus, Franklin usou um fio razoavelmente isolante, de modo que pôde teorizar sobre a corrente elétrica sem pagar com a vida por isso. E ainda pôde inventar o pára-raios, que aumentou em muito a segurança das pessoas durante essas tempestades.
O raio exibe uma série de efeitos em sua queda.
Queda? Dizem alguns que ele sobe... ou desce e sobe...
Mas, não importa o sentido do raio, os estragos são os mesmos...
Vamos aos efeitos:
1 - Produção de Luz - Luminotécnica
A passagem da corrente elétrica através de um gás provoca uma desordem nas camadas eletrônicas, externas aos núcleos gasosos. Após a passagem do raio, as camadas vibram na frequência natural dos átomos dos componentes do ar (Nitrogênio e Oxigênio), e emitem luz e outras radiações até a estabilização geral. Assim funcionam as lâmpadas de flash (xenon) neon e fluorescentes (argonio).
2 - Emissão de Ondas Eletromagnéticas - Radiotécnica
Durante a queda de um raio, além da emissão de ondas luminosas, há também a emissão de ondas de rádio. Galvani e Marconi já sabiam disso e aproveitaram as tempestades como fontes transmissoras.
3 - Emissão de Som e Calor - Termotécnica e Eletroacústica
O raio provoca, em sua passagem, a vibração das moléculas dos gases. Um raio começa apenas com um estalo. Assim também funciona o alto-falante iônico.
A passagem do raio produz um aumento absurdo de temperatura na atmosfera. O calor produzido provoca a expansão dos gases componentes do ar. Após a passagem do raio, a temperatura e a pressão caem rapidamente. As camadas de gás afastadas retornam ao lugar de origem. Este retorno das camadas acontece de forma violenta e provoca um choque entre elas. O efeito de implosão produz o trovão.
Ao atingir o solo, a passagem da corrente do raio através de rochas eletricamente resistivas, provoca intenso aquecimento, levando-as à fusão (efeito Joule).
Alguns fornos siderúrgicos geram o aquecimento de minérios pela indução de correntes através dos mesmos.
Mais uma curiosidade: a violenta fusão das rochas produzem pequenas pedras redondas (respingos da fusão), conhecidas como "pedras de raio". Há quem ache que estas pedras vêm do céu, junto com o raio, ou são o próprio raio...
4 - Produção de Compostos Nitrosos e Ozônio - Eletroquímica e Galvanoplastia
A corrente do raio promove ligações químicas: transforma o nitrogênio do ar em fertilizantes que se precipitam na terra durante uma chuva. Na queda de um raio, pode-se perceber o cheiro desses fertilizantes, além do Ozônio. Raio tem cheiro...
5 - Efeitos Eletrostáticos
Dizem alguns sobreviventes que antes da queda de um raio, os cabelos arrepiam. Muito provavelmente isso decorre da ação do altíssimo campo elétrico que se forma antes da descarga. Essa atração eletrostática é base de funcionamento dos medidores de alta tensão.
Conclusão
Muitos outros fenômenos são envolvidos durante a queda de um raio. Após um longo e paciente período de observações, conduzidos por gerações de cientistas, o temido fenômeno foi amplamente explicado (e aproveitado).
Hoje em quase todas as casas, dentro de um acelerador de partículas, há um feixe de raios completamente "domados", à serviço de produção de imagens luminosas.
Advinharam?
Ó, raios! Estamos falando da televisão...
Escrito por Jonas às 06h39
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