Por que digitalizar o sistema PAL-M?
Esta semana, o blog SBTVD PAL-M recebeu uma pergunta de Marcus Vinicius sobre o principal tema discutido nesta coluna.
Bem, Marcus, sabemos que as bases principais do Sistema Digital de TV Brasileiro estão quase prontas. Torcemos ardentemente para que o "Middleware Ginga" não fique de fora. E que esta nova versão do padrão Nipo-Brasileiro conquiste a aceitação de todos os Países do Cone Sul.
A nova TV irá substituir ao velho sistema PAL-M, que contém características concebidas no início do ano 1940, pelos americanos e outras, concebidas na década de 1960, pelos alemães.
Ao contrário do que se pensa, nenhum sistema de TV digital é totalmente digital. Todos os sistemas em uso, americano, europeu e japonês utilizam sistemas analógicos na modulação, transmissão e recepção. Afinal, no macrocosmos, a natureza se manifesta de forma analógica...
A parte digital fica por conta da codificação e compactação do sinal a ser transmitido e a operação inversa dos mesmos nos estágios finais de recepção.
É notório que na decisão pelo sistema japonês pesou muito a posição dos radiodifusores, na defesa de seus legítimos interesses.
O blog SBTVD PAL-M luta pela defesa dos interesses dos telespectadores.
Acreditamos que uma transição em dez anos vai prejudicar os brasileiros menos favorecidos, provocará a desorganização dos preços dos televisores e poderá reduzir a atual cobertura de sinal de TV, que, em boa qualidade ou "chuviscada", presta excelentes serviços de integração neste País.
A alternativa híbrida dPAL-M não deve ser desconsiderada. Ela pode ajudar no desenvolvimento da "Cultura Digital" em todos os setores: técnico, publicitário, artístico, e é claro, ao público em geral.
Vou dar um pequeno exemplo. Culpam o sistema PAL-M pela demora da transição da TV em preto-e-branco para a TV em cores no País.
Em 1974, trabalhava na Philips GIA - Grupo Industrial de Aparelhos, em Guarulhos, SP. A oferta de mão-de-obra na área de TV em cores era tão escassa, que, para não perder funcionários de seus quadros, o salário dos técnicos da Philips foi inflacionado. Muitos dos funcionários desta fábrica "migraram" para a TV Tupi para atender as necessidades de sua rede...
A ampliação do número de linhas de montagem de aparelhos em cores precisou esperar pela formação de técnicos dentro da própria fábrica, em convênio com o SENAI.
Esse principal motivo de atraso da transição para a TV em cores (que por acaso ainda não acabou...).
O principal fator para o sucesso da transição da nova TV é o fator humano.
A digitalização do sistema PAL-M pode alavancar a transição da Nova TV, permitindo o aumento de ganhos das Emissoras de todo o País, empresas de software e hardware, formação de técnicos em todos os setores, etc.
Quando a TV analógica começou a ser digitalizada (veja primeiro blog: novela digital), a BBC apostou no sistema teletexto "Ceefax", embutido na programação normal.
O teletexto nunca foi um sucesso de público, no entanto serviu como "balão de ensaio" para projetos mais ambiciosos. Atraiu a atenção do público especializado. Ajudou no desenvolvimento da TV digital européia.
Nos EUA, a rede pública de TV utiliza a velha infraestrutura de TV analógica para enviar material didático digitalizado para as escolas, filmes encomendados pela rede de TV Disney, o sistema dNTSC Moviebeam.
O middleware Ginga, criado pelos brasileiros para o SBTVD, pode ser utilizado no sistema dPAL-M.
Estamos esperando pelo quê?
Escrito por Jonas às 08h10
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