A Vitória do Reverendo
Quem já viu velhos filmes de Tarzan, deve se perguntar como funcionavam os ventiladores de teto, encontrados nos escritórios dos expedicionários ingleses.
Se não havia eletricidade nas selvas africanas, o que movia tais engenhocas?
Estes ventiladores de teto eram movidos a querosene. O querosene era o combustível de um motor térmico especial: o motor de ciclo Stirling.
O motor de Stirling surgiu após a máquina de Watt, a mais usada no início da Revolução Industrial, nas indústrias, mineração, trens e barcos.
Diferentemente da máquina de Watt, que libera ruído e vapor durante o funcionamento, o motor de Stirling é silencioso. A troca de calor desse motor é feita "em circuito fechado", através de um "cabeçote quente" e um "cabeçote frio". Tais propriedades tornaram o motor de Stirling muito mais eficiente e menos poluente que o motor de Watt.
O motor idealizado pelo Reverendo Robert Stirling teve de esperar muito até ser usado na prática. Quase um século depois, esta nobre máquina alternativa finalmente ganhou à atenção de cientistas e engenheiros.
No início do século 20, várias empresas se interessaram pelo desenvolvimento desses motores. Entre elas, a Philips.
Qual seria o interesse de uma tradicional fábrica de lâmpadas por esse tipo de motor?
A Philips estava interessada em aumentar as vendas de rádios a válvulas, notadamente em regiões desprovidas de rede elétrica.
Como os rádios a válvulas consumiam muita energia (na forma de pilhas ou baterias), a solução era criar um gerador termo-elétrico adequado para alimentar tais aparelhos.
Muito esforço foi empreendido até chegar-se a um modelo de gerador prático. Ironicamente, isso aconteceu em meados do século 20, quando surgiram os rádios transistorizados, de baixíssimo consumo energético.
O transistor desbancou o uso do gerador Stirling em rádios. Bem, então o que fazer com essa tecnologia desenvolvida?
A Philips desenvolveu motores maiores. Esses motores foram usados experimentalmente em ônibus, fabricados pela DAF, na Holanda.
Quando ocorreu o primeiro choque do petróleo, em meados de 1970, Henry Ford II ficou interessado nesta experiência e visitou a sede da Philips, para conhecer de perto esses motores.
Foi feito um teste comparativo entre dois carros de passeio da Ford. Um dotado de um motor V-8 ciclo Otto tradicional, e o outro, de um super-desenvolvido motor Stirling-Philips.
O motor da Philips mostrou desempenho igual ou superior em todos quesitos, exceto em dois: o tempo necessário para o motor aquecer e o automóvel entrar em ação e o tempo para o motor mudar a velocidade de giro. Ford desistiu da idéia...
Apesar dessa desvantagem nos automóveis, o motor Stirling mostrou-se adequado para máquinas de serviço contínuo, tais como em locomotivas de longo percurso, bombas de irrigação, geradores elétricos rurais e até em engenhos espaciais!
O grande trunfo do motor de ciclo Stirling é a geração de dois cursos de força em seu funcionamento: um durante a expansão dos gases no "cabeçote quente", quando o pistão desta câmara é empurrado, e outro na condensação dos gases, no "cabeçote frio", quando o pistão desta câmara pode ser sugado.
O motor Stirling é quatro vezes mais eficiente que a máquina de Watt e tão bom (ou superior) quanto os melhores motores ciclo Diesel. Pode funcionar com qualquer fonte de calor: combustíveis fósseis, combustíveis nucleares, combustíveis vegetais e até energia solar!
A potência do motor Stirling aumenta com o diferencial de temperatura entre o cabeçote quente e o cabeçote frio. Até a diferença de temperatura entre a parte interna e externa de uma residência é capaz de por um pequeno engenho desses em funcionamento!
Ao contrário dos motores de combustão interna, o motor Stirling é extemamente simples: dispensa o eixo de comando de válvulas, válvulas de admissão e exaustão, cárter, escapamento, silencioso, catalisador...
Em tempos de buscas por energias alternativas, o motor do Reverendo voltou a brilhar como nunca.
Dê uma olhada nos sites abaixo, para saber um pouco mais sobre essas maravilhosas máquinas.
Aliás, se Ford decepcionou-se no passado, saibam que os motores Stirling estão se dando muito bem em automóveis híbridos termo-elétricos...
Links (enlaces):
Do aeolopito à maquina de Watt http://www.motoresdecombustao.eng.br/Textos/HistoricoMCExterna01.htm
turbina a vapor http://www.adorofisica.com.br/trabalhos/fis/equipes/maquinasavapor/turbinavapor.htm
Motor de ciclo stirling http://viagem.hsw.com.br/motores-stirling1.htm
MUSEUM REVEALS VICTORIAN ECO-ENGINE THAT COULD SAVE THE PLANET
(MUSEU APRESENTA MOTOR ECOLOGICO DA ERA VITORIANA QUE PODE SALVAR O PLANETA). Em inglês:
http://www.24hourmuseum.org.uk/nwh_gfx_en/ART44667.html
Usina Solar (Em inglês):
http://www.stirlingenergy.com/breaking_news.htm
Em inglês, para quem tem banda larga: http://en.wikipedia.org/?title=Stirling_engine
Escrito por Jonas às 08h21
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