Interatividade na TV
Esta semana foi apresentado o sistema de interatividade da nossa TV digital: o programa "Ginga", também conhecido como "Flex TV". (Leia matéria do cabeçalho: Em código aberto e livre).
A interatividade na TV, a novidade mais esperada pelos telespectadores da TV aberta, parece não sensibilizar os cartolas da radiodifusão.
"Sinais Recentes" nos levam a crer que o "desespero" para o lançamento da Nova TV poderá inviabilizar a parte brasileira do "Sistema Nissei" SBTVD: o programa de interatividades Ginga.
Há uma piada de corredores das emissoras que a interatividade do telespectador é feita apenas com a geladeira...
O "nó a ser desatado" para a franca interatividade na TV é um marco regulatório que permita as emissoras abertas operarem em "mão dupla" com o telespectador.
Leis e salsichas, melhor não saber como são feitas...
Acredito que os radiodifusores ainda não entenderam que será necessário "repensar" o modelo de negócios TV aberta.
Voltemos na história, para entender um pouco mais sobre interatividade.
Em 1957, o mundo se assombrou com um feito dos soviéticos: ia para o espaço o primeiro satélite artificial do sistema solar.
O "Sputnik" pôde ser ouvido no mundo inteiro, através de Ondas Curtas de Rádio, em AM: "bip...bip...bip...".
Este artefato é considerado o primeiro satélite de comunicações da história.
Comunicações? bem, era uma mensagem monotônica e unidirecional, foi "entendida" pelo mundo de formas diferentes...
O primeiro satélite de comunicação "Bi-direcional" foi lançado no início da década de 1960: O Telstar. Proeza norte-americana, permitia a conversação telefônica "via estelar", além da troca de programas de TV entre a América e a Europa.
Mas o bip...bip...bip... foi aproveitado na Terra de outra maneira.
Na década de 1960 surge um sistema de mensagens uni-direcional muito interessante: o "BIP", dispositivo de comunicação usado por médicos e empresários.
Quando alguém precisava enviar uma mensagem urgente, dava o recado a uma central de telefonistas. O recado era anotado em papel. A telefonista acionava um transmissor que enviava o sinal de rádio "bip...bip..bip...".
O "BIP" acionava o receptor de bolso da pessoa procurada. Ao ouvir o sinal, essa pessoa ligava para a central e recebia o recado anotado pela telefonista.
O "BIP" foi o primeiro "pager" (mensageiro) via rádiodifusão.
Na década de 1990 surgem os primeiros "pagers alfanuméricos", que permitiam a transmissão unidirecional através de textos, lidas através de uma pequena tela em cristal líquido; mas ainda era necessário notificar a telefonista .
O pager foi "engolido" pelos telefones celulares, os "torpedos". Desta maneira, as telefonistas-recadistas perderam o emprego...
Acredito que a comunicação via "torpedos" ainda será a principal forma de comunicação pessoal, mas ainda depende da ampla adesão dos usuários de celulares. Concursos vem sendo feitos para ampliar o seu uso.
A tão sonhada interatividade em mão-dupla da TV também poderá ser feita via torpedos, mesmo que nada mude no cenário regulatório.
A interatividade do Ginga é super-flexível, poderá ser aplicada também ao sistema PAL-M digitalizado, de modo que permitirá que todos possam embarcar nesta nova era em pouquíssimo tempo.
Senhores Radiodifusores: apoiem o Ginga. Estruturem-se para os novos tempos. Os senhores vão ganhar muito com isso.
Escrito por Jonas às 08h42
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