O Sonho de Zamenhof
Conflitos são constantes em nosso velho planetinha.
Alguém já disse: o "universo" é a união de coisas antagônicas.
Podemos sondar os conflitos através de todas as formas de percepção: objetivas, subjetivas, meditação, ou através de instrumentos de observação e medição.
O conflito é algo que se manifesta desde o mundo virótico até no meio-ambiente dos animais superiores.
Uma grande ameaça para uns, uma forma de "crescimento" para outros.
As raizes dos conflitos são várias; talvez sejam a escassez e a cobiça as principais. O medo do desconhecido e a falta de entendimento, outras delas.
Quem sabe, a natureza do cosmos e do próprio homem, tenham uma raiz esquizofrênica comum: a bifurcação.
União e dissidência, atração e repulsão, luz e trevas, conflito ou cooperação. O tempo todo, somos expostos à essas forças antagônicas. Às vezes podemos escolher, às vezes, somos simplesmente "escolhidos".
Mas, vamos falar daqueles que trabalharam pela cooperação.
A cooperação entre indivíduos depende de um instrumento indispensável: a comunicação. Mas a comunicação depende de uma língua comum.
Línguas não são apenas estruturas lógico-gramaticais. As línguas têm alma. A alma de seus povos.
Vez ou outra, a imprensa noticia sobre os prodígios da tecnologia. O avanço da "IA" - inteligência arficial, é vista como uma bênção ou ameaça à raça humana.
Mas, para alívio dos amedrontados, ao fazer uso de um tradutor automático de línguas, é facil perceber que este "avanço" é mais uma falácia lógico-marqueteira que uma ameaça real.
As máquinas (ainda) são previsíveis, o homen, não.
O homem é capaz de entender a ironia e o sentido figurativo. O sentido de uma frase muda de acordo com o contexto, coisas que as máquinas não são capazes de manusear.
Através da fala, o homem se comunica ou dissimula.
Talvez essa faceta humana, a imprevisibilidade, seja afinal, a explicação da perpetuação de sua espécie.
Durante um bom tempo, em minha carreira profissional, participei de um fórum no CB-3, o Comitê Brasileiro de Eletricidade. Nossa missão era a de traduzir normas sobre medições objetivas em receptores de rádio.
As normas do CB-3 são originárias da Suíça. Afortunadamente, tais normas são publicadas em Inglês e Francês.
O inglês instrumental era o idioma preferido do grupo. Mas, não em raras vezes, nosso trabalho "emperrava". Solução? apelávamos para os nossos conhecimentos rudimentares do francês; partíamos para o texto no idioma dos gauleses e conseguíamos completar o entendimento da norma.
Explicação? Os anglo-saxônicos e latinos pensam de formas diferentes...
O que então dizer dos asiáticos? Melhor pedir as explicações para Marco Polo...
Em nome de um mundo mais unido, muitos trabalharam para a melhor compreensão entre os povos.
Marconi acretiva que o seu invento, o rádio, poderia aproximar as pessoas. Hoje temos a Internet.
Mas, ainda dependemos de uma "língua instrumental" adequada.
Zamenhof criou esta língua no século 19, o Esperanto.
Criado para facilitar a comunicação entre todos os povos, o Esperanto não têm a ambição de ser a tão sonhada "língua universal", pois reconhece a riqueza da pluralidade linguística, coloca todas as línguas em pé de igualdade.
O Esperanto é produto do intelecto humano, lógico-racional. Seria suficientemente adequado como língua instrumental na Internet?
Pena que ainda não existam tradutores para essa língua artificial.
Seria interessante transcrever um texto original em inglês para Esperanto, e depois, para o Português, a fim de verificar a consistência do trabalho de Zamenhof.
O esperanto seria suficientemente simples para ser entendido pelas máquinas?
Dizem que o Esperanto já não é mais um só: haveria vários dialetos em uso pelo mundo afora, fruto da mania dos homens em manipular todas as coisas que tem ao seu alcance.
Falso ou verdadeiro? Acho que nem Boole, criador da álgebra lógico-matemática, base dos computadores modernos, se atreveria em responder tal pergunta...
Para saber mais:
Mas afinal, o que é Esperanto? http://www.aleph.com.br/kce/oquee.htm
Tradutor http://babelfish.altavista.digital.com/babelfish/tr
Escrito por Jonas às 10h44
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