Alta Fidelidade e Alta Definição
Domingo passado, os leitores do Estadão foram brindados com um excelente artigo de Ethevaldo Siqueira sobre o tema "TV digital".
Só 30% das famílias americanas têm TV digital. Resultado ruim, se considerarmos que a transição nos EUA já dura 9 anos.
Dos argumentos apresentados pelo articulista, um parece enigmático: apesar da oferta de progamas em HD ter aumentado muito nesses últimos tempos, boa parte das pessoas que tem aparelhos digitais ainda não conseguem perceber quando o programa recebido é em alta definição ou não.
Além de possuir TVs digitais de telas gigantes, é preciso que as pessoas se "reeduquem" para desfrutar dos benefícios da alta definição.
Algo parecido ocorreu no passado. Com o advento da radio difusão sonora em FM, além das gravações em equipamentos de alta fidelidade, quer em fita ou em discos 33 1/3 RPM "microssulco", poucos foram aqueles que perceberam o "salto de qualidade sonora" em relação ao rádio em AM e as gravações nos velhos discos de 78 RPM de "agulhas grossas".
O problema da "reeducação" reside na "psico-acústica" e "psico-óptica".
Embora o sentido da visão seja reconhecido como o principal para a ligação do homem ao seu meio, tanto na visão como na audição, os "dados" coletados pelos órgãos correspondentes são transportados por "cabos nervosos" de 300 mil vias. A conclusão que se chega, é que o "volume de informação" capturados por esses órgãos são equivalentes, bem com "trabalho de decodificação e interpretação cerebral" vindos desses dois "cabos" devem consumir o mesmo "volume de processamento".
Os sistemas artificiais de reprodução sonora ou luminosa diferenciam-se da realidade concreta. Desta maneira, quando vemos uma foto ou ouvimos um som artificial, o cérebro humano faz uma correlação com a realidade, a fim de traduzir e interpretar esses símbolos.
Um cachorro é capaz de reconhecer-se através de um espelho, mas não por uma foto ou TV. O homem aprende isso durante a sua infância.
Todos devem se lembrar do cachorrinho da Victor em frente a um Gramofone. O "slogan" dos discos: "His Master Voice", traduzido como "A Voz do Dono" (dono do cachorro e da sua própria voz...).
Faça uma experiência simples: chame pelo seu cachorro enquanto sua voz é gravada num dispositivo eletrônico (gravador cassette ou digital).
Seu cachorro o atenderá, pois reconhece o chamado do dono.
Minutos depois, ponha o gravador para reproduzir o seu chamado.
Por melhor que seja o seu equipamento de som, seu cachorro não dará a menor bola para o "chamado".
A capacidade humana de adaptação aos meios artificias de reprodução sonora é fantástica.
Há relatos dos primeiros ouvintes de gramofone, quando a voz humana ainda era registrada mecanicamente, sentiam-se encantados com a "fidelidade de reproduçao" e "pureza sonora" dessas máquinas rudimentares.
Ao verificar o período de transição da alta fidelidade ou da TV em cores, constatamos um tempo médio de 20 anos. Esse "número cabalístico" tem duas raízes: um deles é econômico; os royalties caducam após 15 anos. O outro é o tempo médio de uma nova geração humana.
Acredite se quiser, há pessoas que preferem "a riqueza de tons" de uma TV em preto e branco, ou a "inteligibilidade" de uma emissão sonora em AM, que transmite apenas a faixa de voz.
Devo confessar que, mesmo fã da alta-fidelidade, após uma longa vida profissional, os meus ouvidos foram afetados pela forte exposição de ruído industrial, de modo que hoje me encaixo perfeitamente no "segundo grupo" acima. E com uma certa decepção com a quantidade de tons exibida pela TV em cores, desde 1972...
Que venha a TV em alta-definição! Sem pressa, pois será saboreada pelas gerações futuras...
Informe Publicitário
A digitalização do sistema PAL-M, poderá alavancar a transição da TV analógica para TV digital aqui na terrinha.
Nos EUA, a rede pública vem fazendo isto, ao transportar vídeos, dados e programas educativos via infra-estrutura analógica existente, em dNTSC.
A nascente Rede Pública Brasileira também poderá contribuir com o avanço da "cultura digital" em todos os seus aspectos: artístico, técnico, educativo e publicitário.
Para tanto, basta "digitalizar" o velho sistema PAL-M e criar conversores que operem tanto em dPAL-M como ISDB-T.
O middleware Ginga, criado no Brasil, pode ser usado tanto no velho sistema analógico como no novo sistema digital.
Maiores informações ao longo dos artigos deste blog.
Escrito por Jonas às 09h22
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