Radio Digital: Decisões Acertadas
Deu na coluna de Ethevaldo Siqueira: terminou a novela pela decisão dos sistemas de Rádio Digital no Brasil. Ficamos com os dois sistemas: Americano e Europeu.
Concorreram o padrão americano IBOC (In Band, On Channel), com soluções integradas para AM e FM, o padrão europeu DRM (Digital Radio Mondiale), apenas para AM, mais o padrão europeu DAB (Digital Audio Broadcasting), para FM.
Desta vez, os japoneses não tiveram tempo para participar da concorrência.
A estratégia brasileira é idêntica à norte-americana.
No Brasil, o sistema IBOC vai operar em AM e FM, nas faixas mais populares: AM, em Ondas Médias, de 520 a 1620 kHz e FM, em VHF, de 88 a 108 MHz.
O sistema DRM vai ser aproveitado em Ondas Curtas, nas mais diversas faixas: regionais, nacionais e internacionais, em AM, desde 1,6 MHz até 30 MHz.
As emissoras internacionais "BBC" (Reino Unido), "NHK" (Japão), "Voz da América" (EUA), "Radio França Internacional", entre tantas outras, também optaram pelo padrão DRM para as transmissões em ondas curtas.
Finalmente teremos o primeiro padrão de comunicações digitais de longo alcance, único e universal.
As ondas curtas perderam muito de sua importância ao longo das últimas décadas, pelo avanço das comunicações via satélite e cabos submarinos.
O avanço da eletrificação em todos os continentes aumentaram a interferência nessa modalidade de comunicação.
A digitalização das ondas curtas, desde que comprovada a sua robustez, poderá resgatar a importância da comunicação intercontinental através da reflexão de ondas de rádio pelas altas camadas ionizadas da atmosfera, sem uso de qualquer outro artifício.
Embora menos eficiente que os padrões europeus DAB/DRM o padrão americano IBOC mantém a compatibilidade com aproximadamente 3 bilhões de receptores em uso, além de permitir que aparelhos analógicos alimentados a pilha possam continuar funcionando indefinidamente, sem o uso de qualquer conversor.
A transição do Rádio Analógico para Digital será muito lenta, os investimentos tanto dos Radiodifusores como dos fabricantes de receptores vão demorar a acontecer.
Poucos se lembram, mas na década de 1980 o Brasil adotou o padrão C-QUAM (Motorola) para a transmissão de AM em estéreo.
Em S.Paulo, a Rádio Tupi investiu pesado nesta tecnologia, mas nenhum fabricante de rádios se interessou em produzir a novidade.
A sorte de quem investiu no sistema C-Quam é que agora já tem meio caminho andado para migrar para o AM digital IBOC.
A digitalização das comunicações é um fato inexorável, mas acertaram aqueles que partiram para transição compatível.
A TV digital aberta estréia em S.Paulo em dezembro. Há mais uma pedra no caminho: a maioria dos prédios da cidade só têm sistemas de antena coletiva para VHF (canais 2 ao 13). As transmissões digitais serão em UHF (canais 14 a 69)...
Se os criadores de sistemas de televisão digital tivessem pensado em conservar a compatibilidade dos novos sistemas com os antigos sistemas analógicos, não teriam mais esse obstáculo em seu caminho...
Mas, ainda há tempo de digitalizar o velho sistema PAL-M, a fim de alavancar o avanço das técnicas digitais, fazendo uso da infra-estrutura existente.
Escrito por Jonas às 13h19
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