Difícil Conversão
Esta semana, o Ministro das Comunicações Hélio Costa manifestou justificada apreensão sobre as primeiras projeções dos preços dos conversores "Set Top Box".
Estes conversores deverão ser empregados na primeira etapa do processo de transição da televisão analógica para digital, a fim de que o (imenso) legado de aparelhos receptores analógicos possam capturar as imagens geradas nas novas transmissões digitais, disponíveis nas Capitais Brasileiras, à partir do ano que vem.
Para o consumidor médio, tal conversão parece muito simples, faz lembrar o início das transmissões de TV em UHF no Brasil, quando uma pequena caixa sobre a TV fazia a conversão dos canais 14 a 83 (UHF) para os canais 3 ou 4 (VHF).
Estas caixinhas permitiam que antigos televisores, capazes de selecionar apenas os canais em VHF (2 ao 13) pudessem capturar os novos canais em UHF.
Tal conversão era muito simples e pode ser explicada algebricamente:
Exemplo 1: 25 - 22 = 3 ou 25 - 21 = 4,
Exemplo 2: 47 - 44 = 3 ou 47 - 43 = 4.
Para realizar tal tarefa, a caixinha conversora UHF-VHF dependia do serviço de apenas três transistores!
Com o tempo, todos os novos televisores passaram a ser fabricados com seletores capazes de capturar desde o canal 2 até o canal 83 e estas caixinhas foram dispensadas.
Infelizmente o mesmo não vai acontecer agora, pois a conversão digital-analógica é extremamente complexa, é realizada através de um computador especial, dotado de milhares de transistores e circuitos auxiliares.
Para entender melhor como é feita a conversão, vamos entender como é feita uma transmissão analógica:
Vide figura 1:
Clique e volte!
http://negrjp.fotoblog.uol.com.br/photo20071110044124.html
Em seguida, veja como é feita uma transmissão digital
Vide figura 2:
Clique e volte!
http://negrjp.fotoblog.uol.com.br/photo20071110043930.html
Um conversor analógico-digital precisa ter em seu bojo um receptor digital, um sistema de transposição de imagens matriciais para imagens lineares realizado por computador, um modulador PAL-M e um transmissor de TV de pequena potência, que pode operar tanto no canal 3 ou 4, além de circuitos axiliares para promover a interatividade. Tudo isso custa muito caro.
Alguém pode dizer que, mesmo assim, os preços dos conversores projetados entre 500 a 1000 reais, estão muito salgados, de modo que somente quem dispõe de TVs de telas gigantes estaria disposto a fazer tal investimento.
Os preços dos conversores vão cair? Vão, mas talvez não com velocidade esperada pelo consumidor.
Uma calculadora de bolso já custou mais de 1000 dólares, os primeiros aparelhos de videocassete, mais de 3000 dólares, os primeiros computadores eram tão caros que apenas governos e grandes corporações podiam ter um.
Atualmente, uma calculadora de quatro operações pode ser comprada por menos de vinte reais.
Qual explicação disso?
Simples:
Quando empresa se propõe a fabricar um bem de consumo, são necessários investimentos vultosos.
Para que uma idéia se transforme em um produto, investimentos são feitos em pesquisa e desenvolvimento, instrumentos de laboratório, fabricação de protótipos, treinamento de pessoal, investimento em máquinas operatrizes, ferramentas, plantas industriais, campanha publicicitária, logística, etc, etc, etc.
O custo de todo esse investimento é diluído (rateado) em cada produto vendido.
Aí entra o dilema do ovo e a galinha:
Para que os produtos sejam vendidos é preciso baixar os preços, para os preços baixarem, é preciso que os produtos sejam vendidos...
Para vencer tal dilema, utiliza-se a "estratégia do guarda-chuvas": os bens produzidos são vendidos primeiramente para as classes sociais mais altas até chegar à classes de base.
Os preços dos produtos caem à medida que cada faixa de poder aquisitivo é saturada.
O conversor ou os televisores digitais vão baratear?
Sim, mas agora num cenário de "quebra de braços". O preço desses bens terão de cair num prazo delimitado pelo governo e não pelas leis de mercado.
Um receptor de TV no Brasil é utilizado por aproximadamente quinze anos. O governo quer desligar as transmissões analógicas em dez anos.
Será que esse tempo será suficiente para que o preço do conversor esteja acessível à toda população?
Mesmo nos EUA, País onde impera a lei de mercado, o governo detonará um plano de subsídios para socorrer os pobrezinhos.
Um conversor barato na terra de Tio Sam está custando 70 dólares. O governo vai bancar 40 dólares na compra de um aparelho para cada família.
Quem vai administrar esse processo de subsídios é a IBM. (A mesma que, por acaso, foi a primeira a usar computadores em Recenseamentos).
Quem vai pagar a conta? O governo espera recuperar esse dinheiro com o leilão dos canais vagos após o apagão analógico, dentro de dois anos.
No entanto, emissoras analógicas comunitárias (LPTV - Low Power TV) vão continuar operando no sistema analógico por tempo indeterminado, e também vão precisar de ajuda financeira para converter os sinais dos programas digitais em analógicos...
Por essas e outras, acredito na visionária estratégia dPAL-M, quando a parcela que diminui a soma.
Se forem fabricados conversores capazes de operar tanto em ISDTB-T como em dPAL-M, os investimentos das empresas voltarão mais rapidamente, de modo que o preço final do conversor poderá estar acessível à toda família brasileira em menos de dez anos.
Para saber mais sobre conversores:
Arquitetura do Set-top Box para TV Digital Interativa
Este material foi produzido no Instituto de Computação da Unicamp, por Lara Schibelsky Godoy Piccolo.
À Lara, nossos agradecimentos pela autorização da publicação desse interessante trabalho.
clica!
www.cin.ufpe.br/~gds/TAI/GDS_CEMR-APLIC-06.pdf
Escrito por Jonas às 04h57
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|