Finalmente, domingo próximo às 20 h , a TVD será inaugurada.
Tal como uma casa em construção, quando o dono e sua famílía resolvem ocupá-la, sem o devido "habite-se", ainda "na laje".
Inauguração solitária. Poucos paulistas vão poder vê-la no formato digital.
Um paralelo na história só se encontra em 1950, quando Chateubriand comprou às pressas 50 aparelhos receptores de TV que foram distribuídos pelas lojas de S.Paulo, para que o povo acompanhasse a inauguração da PRFTV-3 , a pioneira TV Tupi.
Como na época eu também estava "em projeto", vou dar meus testemunhos sobre a transição da TV em cores, que iniciou-se em 1972.
Além de poucos televisores disponíveis, todo o legado de conteúdo produzido pela TV era monocromático.
Os POUCOS anúncios em cores eram os das Lojas Garbo (Ou Ducal?), Banco Mercantil e Consórcio do Touring Club do Brasil. (Por acaso, para o povo comprar TVs em cores, de tão caras que eram...).
A Globo transmitiu o teleteatro "Meu Primeiro Baile" e regularmente apenas a "Sessão Coruja", a Band começou com telejornalismo e séries enlatadas. A Tupi transmitia dois programas semanais : Silvio Santos e Ayrton Rodrigues, no horário nobre.
A Cultura só veio a transmitir programas telecinados em cores dois anos depois. A primeira produção híbrida (VT em preto-e-branco e Telecine em cores) da TV Cultura foi o teatro "A Noite dos Cardeais".
Futebol, somente uma partida por semana, pela Tupi e Band.
Agora, os tempos são outros. Quase todo material das emissoras vem sendo criados no formato digital há muito tempo.
No entanto, a tecnologia digital de recepção ainda é cara e incompleta: falta a parte de INTERATIVIDADE.
A televisão, embora digital, nasce MONOLÓGICA. Diálogos você só encontra na velha Rádio AM
A Rádio Eldorado, por exemplo, o ouvinte faz o papel de repórter há vários anos: sua "unidade de reportagem externa" é o telefone celular e ele pode dar "um furo de reportagem" a qualquer momento.
O mesmo poderá acontecer com a TV digital, se hoje há telefones capazes de fazer pequenos filmes?
Quando a TV em cores nasceu, os únicos concorrentes eram as emissoras de rádio e o cinema.
A TV digital aberta enfrentará um amplo cenário de concorrência: TV via cabo, satélite e micro-ondas, IPTV via rede telefônica e fibra óptica, cinema, videogames, videocassete, DVD, Internet, etc, etc, etc.
O que ou quem poderá salvá-la? O CHAPOLIM COLORADO?
Conteúdo, é claro. De preferência, ao vivo!
A TV aberta PRECISA apoiar a interatividade, que atinge plena utilidade através de programas ao vivo!
Não deixem o programa BRASILEIRO de interatividades "GINGA" transformar-se em um NATIMORTO!
VIDA LONGA E PRÓSPERA PARA A TV DIGITAL ABERTA!