"Habemus Digitalis"
Com essa frase de Joelmir Beting, na abertura do programa "Canal Livre", ficamos sabendo como foi a inauguração da TV digital no Brasil. O entrevistado da semana foi o Ministro das Comunicações Hélio Costa.
Nenhuma das grandes redes deu cobertura completa ao evento. Umas começaram tardiamente, outras cortaram a transmissão antes do final.
A boa notícia, no final do domingo passado, foi o lançamento das transmissões digitais de satélite, em Banda C, em sinal aberto para todo o País, pelas emissoras Band e Rede TV! (dupla exclamação!).
[Temia-se pelo futuro da TV via satélite em Banda C. A constelação de satélites "Brasilsat" vem envelhecendo. Havia a necessidade de por em órbita outras repetidoras, para dar continuidade a esse serviço. O lançamento do Satélite "Star One", da Embratel, dissipou essa dúvida.
Além das novas transmissões digitais abertas, está garantida a continuidade das transmissões analógicas para quase 20 milhões de brasileiros que assitem TV via antenas parabólicas, em todo o território nacional. O novo e poderoso satélite da Embratel também transmite em Banda Ku, para TV digital paga e Banda X, para a Defesa Nacional.]
Conversores...
Além de caros, o Ministro comentou o pouco caso das fábricas em produzir modelos populares. As montadoras estão mais interessadas nos modelos de "alta definição", que vão turbinar as vendas das TVs de telas gigantes.
[Nem os EUA resolveram esse problema: quando o governo obrigou a fabricação de TVs com dois seletores, os fabricantes "lançaram a moda" de monitores, isto é, televisores sem conversor nenhum.]
Mobilidade...
A TV via celulares, embora gratuita, vai depender da fabricação de telefones híbridos: voz via padrão europeu e TV via padrão japonês.
O governo acredita que, tal como o carro a alcool, a demanda de consumo vai forçar a produção desses aparelhos.
[A TV móvel vai depender da repetição do sinal das emissoras de TV pelas operadoras de telefonia, através da rede de transmissores celulares. Quem vai pagar essa conta?]
Interativade...
Nenhum conversor lançado contempla este serviço, que vai depender da adesão das emissoras. Alguém terá de produzir esse conteúdo.
[As Emissoras Educativas sempre estiveram na vanguarda da criatividade na TV. Esperamos que elas aproveitem bem este novo serviço.]
Comentários Finais do Blogueiro
Alcance Territorial...
Diferentemente da Banda C, que alcança todos os rincões do País, a TV digital terreste tem o alcance mais limitado que a própria TV analógica. "Pega ou não pega".
A periferia poderá ficar de fora. Será necessário a implantação de transmissores auxiliares nestas áreas, ou optar pela recepção via satélite.
Tempo de Transição de Sistemas...
O mercado de informática viabilizou os monitores TRC de alta definição, o cristal líquido, computadores pessoais "populares", "mídias regraváveis", fibras ópticas, redes locais, comunicações de rádio em alta velocidade, etc. A informática levou de reboque a Indústria Fonográfica. O vinyl virou CD, que virou DAT, que virou MP3... não sabemos para onde esta revolução levará a TV.
Pela velocidade das inovações da indústria informática, os estimados 15 anos para a transição da TV podem soar como uma eternidade. Só nos resta aguardar...
Escrito por Jonas às 08h45
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