Visto pelo mundo midiático, isso diz respeito ao "meio". Mas, "meio" não é "fim".
O "fim" das tecnologias de comunicação é a "mensagem".
Nosso principal assunto é televisão digital. A "mensagem" é a programação da TV.
Parece irônico. Todo mundo critica a TV. E não é raro, quando alguém começa criticar a TV, cita uma infinidade de maus exemplos. Logo, percebe-se que quem faz a critica, vê muita TV...
Não me envergonho em dizer que muito do que sei, conheci através da TV. Atualmente, bons programas são exibidos nos piores horários. Faça mais uso do gravador de videocassette.
Defendo o serviço da TV aberta, embora "democrático", não tem nada de "gratuito". Friedmann, Premio Nobel de Economia, deixou uma frase que também serve para a TV: "There's no free lunch" (Não há almoço grátis).
Tudo custa, e isso não é diferente para a TV aberta.
A verba publicitária investida na TV aberta custa, a cada consumidor brasileiro, cerca de 200 reais anuais. Esse valor está diluído em todos os produtos e serviços utilizados pelos consumidores; quase o equivalente ao preço do "pacote básico" do serviço de TV a cabo norte-americano, que também ganha muito com a veiculação de anúncios comerciais. (Como a TV a cabo é cara no Brasil!).
Em busca de maior participação das verbas publicitárias, as emissoras lutam para conquistar a audiência.Dizem que o que se vê na TV é o resultado dessa batalha. Será mesmo? Se isso for verdade, é melhor que a TV digital interativa nunca venha a ser uma realidade.
Imaginemos essa possibilidade: as emissoras atestam que a preferência do grande público recai sobre as piores paixões humanas. Se as emissoras tiverem a capacidade de medir a audiência a cada segundo (e faturarem baseados nessa nova realidade), o que parece ruim atualmente, no futuro será como histórias de ninar crianças. Poderemos entrar numa "anti-espiral" que nos levará a idade das cavernas.
Muito antigamente, dizia-se: quem não gosta de um programa de TV, basta desligá-la. (Isso era válido quando havia apenas uma emissora no ar).
O problema atual é que mesmo não gostando certos programas, acabamos "acompanhando-os" pela quantidade de "chamadas" e "inserções", exibidos o dia todo, durante meses.
Desligar e religar a TV rapidamente não é um procedimento correto. Os circuitos ficam aquecidos e uma partida repentina pode derreter componentes dos estágios de potência do TV.
Mude de canal. Saiba um pouco sobre as maravilhas do processador de alimentos, ou participe da reza comunitária ou do sermão do pastor por alguns segundos. Depois, volte ao programa que você estava assistindo.
Com a TV digital, essa tarefa vai ficar um pouco mais difícil. O "zapping" (mudança rápida de canais) é um atributo da TV analógica. A TV digital depende de alguns segundos para "formar" imagem a cada mudança de canal. Quando isso vier a acontecer, "congele" a imagem e aproveite para bater um curto papo com seus próximos até a baixaria acabar e a "progamação normal" restabelecer-se.