Saudades do "SabeSabe"
Não há almoço grátis! Assim sentenciou o guru do capitalismo moderno. Parece que isso também vale para a Internet.
Não sou contra o capitalismo (quem é louco de nadar contra a correnteza ?).
O capitalismo, em sua constituição clássica, acontece através de uma sequência básica: aquisição de insumos (materiais ou imateriais), beneficiamento (agregação de valor), distribuição, venda (com proficiência), cobrança e pagamentos.
A revolução das Tecnologias da Informação está colocando em cheque os últimos três itens da cadeia (cadeia?) desse processo, principalmente no setor de produção de conteúdo imaterial.
Os provedores de conteúdo, tal como a área de entretenimento audio-visual, vivem uma crise profunda provocada pela pirataria.
A grana não é um fim, é apenas um contrato de bolso, adequado para agilizar os acordos interpessoais, por exemplo, fretar uma corrida de táxi.
O interesse move o mundo, mas haveria outras maneiras de fazê-lo funcionar?
A Enciclopédia Colaborativa Wikipedia, por não permitir a veiculação de anúncios, sofre problemas com os buscadores comerciais.
O maravilhoso site "Feira de Ciências", por falta de apoio comercial, vive em clima de suspense.
A saída para esse dilema seria o mecenato?
Bach compôs obras musicais divinais, Michelangelo ilustrou a Capela Cistina. Ambos foram "patrocinados" pela Igreja Católica.
Para entender melhor a questão, sugiro a leitura de uma obra exemplar : "Socialismo para Milionários", do impagável Bernard Shaw.
A crise que vivemos foi anunciada pelo futurólogo Alvin Toffler, autor do livro "Terceira Onda" que cita a figura "prossumidor", aquele que produz e consome ao mesmo tempo.
Talvez, será o próprio computador que vai avaliar os créditos de produção e débitos de consumo de cada pessoa. Mas como fazer isto, sem prejudicar a privacidade do indivíduo?
A Internet vem testando muito bem esta forma de transação.
Um dos melhores sites de perguntas e respostas, livre de exigências inúteis (o ar condicionado esfria a burocracia), era o "SabeSabe". Participei como "respondedor" na minha área, mas não deixei de ser "perguntador" em áreas de meu interesse.
O "SabeSabe" premiava aos "respondedores" com uma moeda virtual. Nunca resgatei tais moedas, afinal compartilhava conhecimentos, uma espécie de "escambo intelectual" . O "Site" permaneceu "online" até que seu único patrocinador, uma fábrica de automóveis francesa retirou seus anúncios e o "SabeSabe" saiu do ar.
Passo abaixo, uma canja dada pelo especialista em astrofísica "inotsuga", colaborador do SabeSabe. Meu caro inotsuga, espero que você me perdoe pela publicação de sua resposta, sem a sua devida autorização.
[s] jaquecustô.
Categoria: Astrofísica Assunto: Nave Terra 0802 jaquecustô perguntou: Astronave Terra
Caros Especialistas,
Olhar para o céu à noite sempre foi algo fascinante.
Percebi ser mais fascinante ainda, quando vi a primeira foto de longo tempo de exposição, capturada no céu noturno, na qual cada estrela, em função da rotação da terra, virtualmente, são transformadas em belíssimos cometas.
Recentemente vi um livro de geografia, no qual , em função da mesma rotação da terra, as estrelas vistas dos polos norte e sul apresentam virtuais movimentos circulares.
Bem, agora vem a maquinação.
As sequências de fotos de nuvens, devidamente intervaladas, quando reproduzidas em velocidade de cinematografia, animam surpreendendes efeitos deslocamento, "metaforfoses" e variação de brilho.
Sabemos que a Terra possui vários movimentos, e talvez o mais deslumbrante seja o movimento da Terra em função do Cosmos, a "Terra Cosmonave".
Agora, a pergunta:
Que tipo de cena poderíamos assistir, se utilizássemos todos os registros fotográficos diponíveis de céu noturno dos últimos 150 anos, aplicando todo o tratamento geométrico e matemático, a fim de compensar a posição geográfica da tomada de cada foto, a data de cada captura , os efeitos dos movimentos mais repetitivos, tais como rotação do eixo e translação solar?
Um abraço, jaquecustô
inotsuga respondeu:
A questão é interessante e colocada com inteligência (compensar posição geográfica e etc.) mas 150 anos é pouco tempo para, por exemplo, notarmos a precessão do eixo da Terra, que seria um efeito interessante pois teríamos céus diferentes para uma mesma localidade terrestre. Muito menos para perceber a mudança de posição relativa entre as estrelas devido aos seus movimentos próprios. Seriam necessários alguns séculos parta termos estes efeitos. Com 150 anos teríamos apenas uma seqüências de "céus" com uma rápida dança dos planetas e eventuais passagens de cometas brilhantes zunindo pelo firmamento. Hoje em dia, com softwares planetáriuns é possível simular estes movimentos e até gravar uma animação. Veja este software: http://www.stargazing.net/astropc/pindex.html
Abraços, inotsuga
Valeu inotsuga, quem sabe a gente se vê por aí...
[s] Jonas (jaquecustô)
Para saber mais:
Site do Inotsuga
http://paginas.terra.com.br/lazer/zeca/sci/sabe_f.htm
Escrito por Jonas às 14h19
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