Funeral Sem Música
MovieBeam saiu do ar nos EUA, em 15 dezembro passado.
Fiquei sabendo esta semana, ao vasculhar a Rede.
Tenho acompanhado a experiência "MovieBeam" desde o seu início.
Esse sistema de TV sob encomenda funcionou por quatro anos nos EUA. Inicialmente, explorado em fase experimental pela Disney, em Definição Standard, em poucas cidades. Depois, em quase todo o mercado de TV dos Estados Unidos, explorado pela empresa Movie Gallery em Alta Definição, via rede PBS. A base do negócio era muito simples: alugar filmes sem precisar ir à videolocadora.
À despeito do modelo de negócios semelhantes aos concorrentes iTunes, Apple TV, Amazon Unbox, NetFlix (Vudu), o sistema Moviebeam dispensa a Internet ou canais especiais de telecomunicações. Sua programação era carreada pela "Rede Nacional de Dados Datacasting", ou seja, ia de "carona" pelos canais analógicos dNTSC da rede pública PBS.
Nesse ínterim, surge a TV Youtube Google e a IPTV. Excesso de meios, falta de mensagens... mas a Internet poderá congestionar-se em pouco tempo.
Vincent Cerf, um dos idealizadores da Internet, opinou favoravelmente sobre o uso do espectro de televisão em transmissão de dados para comunicação em massa. Estaria o sistema em questão muito além do seu tempo?
É ruim quando um modelo de negócios, baseado no potencial das nascentes comunicações digitais, vai mau. Perdeu-se cerca de 100 milhões de dólares nessa aventura. A Inglaterra e a Espanha também perderam muito dinheiro durante as primeiras experiências com a TV digital terrestre paga. As coisas somente tomaram corpo quando a Inglaterra partiu para o modelo gratuito "Freeview".
Meu interesse pessoal pelo sistema Moviebeam é meramente técnico. A energia irradiada de cada transmissor analógico pode levar muito mais informação que o vigente modelo PAL-M, a ser extinto dentro de dez anos.
O modelo de negócios da Moviebeam previa a transição do meio de transporte, de dNTSC para ATSC, assim que a transição analógica-digital nos EUA (prevista para fevereiro de 2009) estivesse concluída.
O sistema dNTSC (desenvolvido pela Dotcast) transporta cerca de 2 Mb/s, com o acréscimo de 1% de consumo de energia num transmissor analógico convencional (NTSC ou PAL). Considerando-se a evolução dos sistemas de compressão de dados, é possível usar técnicas semelhantes, tal como dPAL-M, como ferramenta para alavancar a transição analógica-digital no Brasil, levando a interatividade para todo o País em pouquíssimo tempo, através de conversores analógicos capazes de manusear sinais em dPAL-M e ISDB-t ao mesmo tempo.
Congêneres dNTSC e dPAL-N poderão ser explorados nos Países do Cone Sul.
Nota Recente
Blockbuster vai distribuir conteúdo para TV ADNews http://sbtvd.cpqd.com.br/?obj=noticia&mtd=detalhe&q=10803
Mais "Vapourware"?
Escrito por Jonas às 17h00
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