Radiodifusão, Energia e Outros Quejandos
(texto complementado)
Quejando, palavra inventada pelo saudoso Gilberto Affonso Penna, editor da querida Revista Antenna, talver derivada de "queja" (queixa, em castelhano), serve de abertura para o comentário do Blog SBTVD PAL-M desta semana.
Sou assinante desta decana publicação técnica há mais de vinte anos. A "Antena" vem se reciclando nos últimos ointenta anos de publicação ininterrupta, afinal a tecnologia não pára de avançar. Mas a "Vovó Antenna" nunca deixou "órfão" o seu público mais fiel e antigo: os radioamadores.
A minha categoria de amigo do rádio se alinha à classe de radioamadorismo mais extensa: os corujas, ou ou simplesmente, radio-escutas. O rádio só perde para a televisão em audiência. Logo, existem muito mais radioamadores no Brasil do que se imaginar...
Vovó Antenna não nos abandone!
Bem, após este longo e necessário preâmbulo, voltemos à pauta da semana.
Quando se fala em energia, logo nos vêm à mente o petróleo. O petróleo bateu o recorde de 130 dólares o barril, recentemente. Quais seriam os principais problemas de ordem estrutural em jogo para um possível novo choque do petróleo?
De acordo com os especialistas, isso acontece principalmente porque os tradicionais fornecedores de petróleo estão usando essa fonte de energia como recurso de desenvolvimento nacional e também para "agregar" mais valor ao negro hidrocarboneto, transformando-o em componentes de adubos e produtos petroquímicos, muito valorizados no mercado mundial.
Ningúem citou a perda de valor da moeda americana na composição do preço do barril, mas esse é apenas um problema conjuntural.
Monteiro Lobato, em suas lutas pelo petróleo brasileiro, acertou em cheio quando qualificou o petróleo como "motor do mundo" e "presidente negro".
Como o petróleo é a principal fonte de energia mundial, sua pressão inflacionária acaba "contaminando" toda a cadeia produtiva e as "fontes alternativas" também aumentam de preço, em nome da "paridade energética".
Bem, agora só falta falar da Radiodifusão.
Acho muito interessante usar a Internet como meio de difusão de rádio. Nada como poder ouvir a sua rádio predileta, saber de notícias de sua cidade, ouvir a reportagem esportiva de seu clube favorito, sem se importar em que lugar do planeta estivermos.
Outro ponto interessante da Rádio via Internet são as preciosas leituras de audiência através do número de "streamings" (fluxos de dados enviados das rádios para cada internauta) a qualquer momento do dia ou da noite, a fim de que as emissoras possam "ajustar a programação".
Mas e quanto à questão energética? Ouvir rádio pela Internet é economicamente viável?
Vejamos: um computador moderno consome em torno de 500 watts. Se determinada emissora estiver enviando sua programação para mil ouvintes, chegamos a conta de 500.000 watts. Dez vezes mais consumo que uma emissora de rádio AM "classe especial"!
O consumo médio de um rádio portátil é 0,02 W. Para a mesma audiência de mil pontos, teríamos um consumo de 50.000 W (emissora) e 200 watts (para alimentar os radinhos).
O uso do rádio via computador, em tempos de preservação ambiental e escassez de energia, deveria ter uso restrito. Por exemplo, enviar a programação à uma emissora repetidora.
Rádio Digital
O rádio digital está difícil de decolar. Os maiores problemas dizem respeito à radidifusão AM digital e ao consumo excessivo de energia dos rádios digitais portáteis.
As emissões em AM sofrem sérias interferências com o desenvolvimento urbano, bloqueio dos prédios de concreto e aumento da produção de ruídos eletromagnéticos originados por máquinas, sistemas de iluminação e vários eletrodomésticos. Para "domar" essas interferências, são necessários filtros em todos esses equipamentos, a fim de evitar a emissão de ruídos. Infelizmente, isso custa muito caro.
Quanto à Radiodifusão em FM, esta funciona muito bem. Satisfaz plenamente em alcance e em qualidade sonora.
O entrave das FMs são as rádios piratas. Este problema somente será resolvido com a regulamentação de funcionamento das Rádios Comunitárias.
A radiodifusão FM pode viabilizar a emissão digital híbrida. O FM já foi usado como meio de transporte auxiliar de música ambiente (SCA), transmissor de recados digitais (pager), sem perder compatibilidade e qualidade sonora com o legado de milhões de receptores analógicos.
A radiodifusão em FM poderá viabilizar a transmissão digital de um único canal auxiliar de voz, com a redundância e robustez necessária para substituir a velha AM, mas para ser recebida em veículos, pois dispõem de energia suficiente para alimentar um rádio digital .
Quanto às emissões musicais de rádio em altíssima fidelidade, estas já estão vindo do espaço, via satélite digital...
TV Digital
Até quando o sistema analógico estiver para ser desligado, o consumo médio de energia no Brasil vai aumentar em 8% , graças a duplicação da rede de transmissores e ao uso complementar de conversores analógico-digitais nas residências, necessários para a recepção digital.
Somente quando o apagão analógico acontecer, os transmissores analógicos serão desligados. Isso deve acontecer em 2016.
A criação de um sistema de TV analógico-digital compatível foi uma oportunidade perdida pelos promotores mundiais da Nova TV. Agora, só nos resta pagar a conta.
Para entender melhor esta questão:
Proposta enviada aos organizadores do SBTVD em 2005 e veiculada no "Observatório da Imprensa", fóruns e blogs:
A importância da compatibilidade http://negrjp.fotoblog.uol.com.br/photo20060320203216.html
Sistemas de TV digitais incompatíveis http://negrjp.fotoblog.uol.com.br/photo20060320203414.html
Sistemas de TV híbridos-compatíveis http://negrjp.fotoblog.uol.com.br/photo20060320203740.html
Situação em 2005 http://negrjp.fotoblog.uol.com.br/photo20060320204110.html
dPAL-M : Hipotética situação em 2010 http://negrjp.fotoblog.uol.com.br/photo20060320204309.html
dPAL-M: Hipotética situação em 2020 http://negrjp.fotoblog.uol.com.br/photo20060320204444.html
dPAL-M totalmente digital em 2030 - fase final http://negrjp.fotoblog.uol.com.br/photo20060320204618.html
O site da Antenna
http://www.antennaeletronica.com.br/
Comentários Técnicos Finais
As primeiras propostas da "Advance TV" nos Estados Unidos previa a compatibilidade com o antigo sistema de TV NTSC e dispensava o "simulcast", isto é, duplicação de transmissores durante o período de transição de sistemas. A Philips e RCA apresentaram uma proposta conjunta.
Esse primeiro "sistema avançado" era analógico e só resolvia o problema de "interferência por multipercurso" (fantasmas). Com o avanço das revolucionárias técnicas digitais e das promessas de alta definição, a premissa de compatibilidade foi abandonada e o inevitável "período de transição de sistemas" deveria ser acelerado. No entanto, os EUA já postergou duas vezes a "data da dureza", isto é, o "apagão analógico".
A progressiva hibridização do hipotético sistema dPAL-M depende de um "acordo social", pois é necessário "invadir" a área visual ativa para transportar dados digitais. A modulação dos dados digitais em "multiplexação temporal" deve ser feita em AM, semelhante ao padrão americano ATSC, numa progressão "fade in / fade out", isto é, "um entra e o outro sai".
Os custos de desenvolvimento de uma técnica de modulação analógica-digital tão complexa (presumo) não estava prevista no projeto SBTVD.
Na ocasião dos testes de campo em S.Paulo dos padrões de TV estrangeiros, o sistema americano ATSC foi o que apresentou pior desempenho.Atualmente, o padrão ATSC está na "quinta geração". Os promotores do sistema americano afirmam que seu padrão equiparou-se aos demais concorrentes.
O sistema ATSC utiliza uma técnica de modulação AM semelhante ao SSB (modulação com portadora parcialmente suprimida). É o padrão digital que menos consome energia.
O Brasil pesquisou um sistema de modulação em "diversidade espacial", previa a existência de dois transmissores digitais para cada emissora.
O objetivo era suplantar as deficiências de propagação dos sistemas estrangeiros testados em S.Paulo, além de favorecer a recepção móvel, ironicamente, a "atração" que deve salvar a TV digital nesta primeira fase de implantação.
Aparelhos celulares e TVs portáteis estão sendo lançados, embora os preços ainda estão altos.
O sistema brasileiro de modulação ficou conhecido como SORCER – Sistema OFDM com Redução de Complexidade por Equalização Robusta , desenvolvido por pesquisadores do Rio Grande do Sul.
No fim do processo de seleção, o Brasil decidiu-se pelo sistema de transmissão japonês, porém com modificações. Esse sistema já está no ar em S.Paulo, desde dezembro do ano passado.
O sistema japonês usa compressão digital MPEG-2, o Brasil usa MPEG-4. A parte relativa a interatividade (middleware Ginga) ainda está em construção. Somente à partir do ano que vem serão comercializados conversores com este programa.
Se, ao menos, a parte de interatividade for integrada ao velho sistema PAL-M, esta estratégia poderá acelerar a transição analógica-digital e levar à todo País a "principal atração" do novo sistema a todos os brasileiros em curtíssimo prazo.
Escrito por Jonas às 07h45
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