Biocombustíveis: mais lenha na fogueira.
"Páu na Máquina!".
Poucos hão de lembrar-se da origem dessa exclamação. Essa expressão surgiu no leito da EFS - Estrada de Ferro Sorocabana. Era a voz de comando do maquinista ao foguista: mais lenha na caldeira para que o trem a vapor não perdesse a velocidade de cruzeiro por falta de calorias.
Essas nostálgicas máquinas térmicas eram alimentadas a lenha (subtraída da Mata Atlântica). Biocomustível, sim senhor.
Uma locomotiva a vapor é um exemplo trágico de ineficiência térmica: somente 8% do calor produzido é transformado em energia mecânica (energia de movimento). As melhores locomotivas modernas a Diesel rendem 35%.
Em nome do controle do efeito estufa, há um esforço mundial (e uma certa ingerência em assuntos internos) para a limitação da produção de gás carbônico, tais como a limitação de queimadas, substituição de fontes energéticas, programa de créditos, etc.
Durante a II Guerra mundial faltou gasolina para mover veículos civis.
Na ocasião, lançou-se mão do gasogênio para remediar a situação. Onibus, caminhões e veículos particulares tornaram-se usinas móveis de gasogênio. O gasogênio é um combustível derivado do carvão vegetal.
Quantas árvores foram abatidas para esse fim?
O carvão vegetal era intensamente comercializado até a metade do século passado, quando os fogões domésticos à base de GLP - Gás Liquefeito de Petróleo passaram a dominar este mercado.
Lembro-me de uma carvoaria em meu bairro , na Zona Norte de São Paulo, que comercializava este produto em grande quantidade no início dos anos 1960. Lembro-me, também, de um calendário fornecido por uma distribuidora de GLP: nele havia a foto de uma frondosa árvore com os seguintes dizeres: "Cada botijão de gás consumido salva uma dessas". Visto por este prisma, o petróleo não é um vilão anti-ecológico tão grande assim.
Porém, mais danoso que o gás carbônico (produto da queima de hidrocarbonetos) são os gases desprendidos de dejetos em decomposição que "alimentam" o efeito estufa. Entre eles, o gás metano (CH^4).
A ocorrência do gás metano se dá nos pântanos, campos e centros de pecuária, lixões e parques de tratamento de esgotos das grandes cidades.
Durante o primeiro choque do petróleo, lá nos idos anos 1970, viabilizaram-se os "biodigestores" como meio de produção de gás metano para queima em fogões e sistemas de aquecimento de água, à partir de resíduos orgânicos.
A India foi o país que mais intensificou o uso dessa forma de energia alternativa.
(Gostaria de saber se no sul do Brasil, grande centro de suinocultura, alguém faz uso desses biodigestores).
O gás metano é uma fonte de energia importante, mas pouco está sendo feito para o seu total aproveitamento.
Mas, com o aumento expressivo dos produtos petrolíferos, este meio de energia alternativa voltará à baila.
A boa notícia é que a queima do gás metano, além de fornecer calor, torna-o menos danoso ao meio ambiente do que em sua forma original.
A quebra de oferta de energia já provocou impactos no passado.
Mas, para grandes problemas, há grandes soluções.
O que hoje é visto como dores-de-cabeças, no futuro poderão transformar-se em atividades econômicas, limpas e lucrativas.
Leituras Interessantes:
GASOGÊNIO, um quebra-galho do tempo da guerra para a falta de gasolina http://www.carroantigo.com/portugues/conteudo/curio_GASOGENIO.htm
Gás de lixo pode produzir 15% da energia do Brasil Técnica incentiva manejo correto de resíduo e ajuda a combater o efeito estufa http://www1.folha.uol.com.br/folha/ambiente/ult10007u412371.shtml
Biodigestor anaeróbico http://pt.wikipedia.org/wiki/Biodigestor
Escrito por Jonas às 07h20
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