Conspiração Digital
Quando foi a última vez que compramos alguma música?
A abertura inquisitiva do Blog SBTVD PAL-M convida-nos a refletir sobre o que aconteceu com o "Mercado de Artes Audio-Visuais" nas últimas décadas.
Os meios análógicos de armazenamento, transmissão e reprodução favoreceram o crescimento e difusão do mercado musical, teatro, cinema e televisão.
O Cinema tem mais de cento e cinquenta anos, o fonógrafo mais de cem, o gravador magnético de arame oitenta, o Video-Tape profissional cinquenta, o audio-gravador cassete pessoal quarenta , o disco laser analógico de imagens (LDV) trinta e cinco e o videocassete doméstico trinta.
No mundo musical, as coisas iam bem até a invenção do audio-gravador cassete.
De início, as "cópias toleradas" de audio-cassetes eram compilações caseiras. Passava-se o conteúdo de discos de vinil para a fita, para ser ouvido em aparelhos portáteis (a tira-colo) ou em tocadores automotivos.
Das velhas Rádio-Vitrolas, surge o conceito "três-em-um", aparelhos compostos de Rádio AM/FM, Vitrola de Vinil e Gravador Cassete.
A industria musical apostou no formato "compact cassete" e disponibilizou todo o seu acervo neste formato.
Acreditava-se, erroneamente, que o disco de vinil desapareceria em favor da disseminação e praticidade dos cassetes.
A fita cassete de áudio provocou o primeiro baque na indústria musical, pois deu abertura para o surgimento da pirataria em alta escala. Cópias grosseiras dos originais espalharam-se rapidamente.
Algo parecido aconteceu com os gravadores de video-cassete. Esses aparelhos chegaram ao País "por baixo do pano".
Somente quando o "parque de máquinas instaladas" ultrapassava a marca de centenas de milhares, a indústria nacional de eletrônica reagiu e passou a montar esses equipamentos no Brasil, a "preços competitivos".
Como não poderia de ser, o advento do videocassete caseiro afetou a indústria do cinema. Mas pelo formato dessa mídia volumosa, além do combate intensivo da Polícia Federal, a pirataria de videocassete não resistiu e desapareceu. Quanto as fitinhas de audio...
Há quase trinta anos, inicia-se a (desastrosa) transição analógica/digital da indústria do entretenimento.
O primeiro rebento é o Compact Digital Audio Disc, o CD. Em vinte anos, o CD liquidou com os bolachões de vinil. Serviu para o "renascimento" da indústria fonográfica. Tudo ia muito bem quando surgiu o CDR, o CD gravável, criado como mídia para a indústria de computadores.
Não demorou e sugiu, há menos de dez anos, o DVD.
A composição CD, DVD e CD gravável deu um impulso extraordinário a indústria pirata. A indústria de entretenimento passa por uma terrível crise.
O computador favoreceu a disseminação da produção da indústria de entretenimento, mas ameaça a sua própria sobrevivência.
O computador processa o conteúdo, mas não compõe. Alguém já ouviu alguma obra musical ou cinematográfica composta por um computador?
Emblemática a "greve dos roteiristas" nos EUA... Acho que até a crise do dólar tem alguma com isso.
A robotização vai roubar muitos postos de trabalho repetitivos, de modo que a carga de trabalho humano vai reduzir inevitavelmente.
Economistas acreditam que, com a sobra de tempos livres, vai aumentar a procura por outras atividades como esporte, lazer, cultura e entretenimento.
Com a pirataria digital, a indústria de entretenimento está desestimulada.
Nos velhos tempos da fitinha cassette (que ainda sobrevive), os fabricantes advertiam:
"Não comprem fitas piratas, pois elas podem estragar seu aparelho de som".
As advertências sobre os meios digitais são mais sérias:
"A rede de produção e comercialização piratas financiam o terrorismo..."
Vou um pouco além. Será que todo o conteúdo de um disco pirata ou arquivo encontrado na Internet diz respeito exclusivamente ao filme ou música? Nã seria uma forma eficiente de difundir mensagens em códigos secretos para favorecer o submundo do crime? Estariam essas mídias infectadas? Estaria delirando?
Seria a volta de dois trambolhos analógicos, o Vinil e o LDV uma forma de antídoto a pirataria digital?
Uma luz no fim do túnel?
O primeiro formato de vinil http://www.thebarbarycoasters.com/BarbaryStomp45scan.jpg
O primeiro formado gravador de fitas cassette http://technabob.com/blog/2007/02/08/a-brief-history-of-portable-media-players/
O primeiro formato de tocadiscos (LASER) analógico de imagens http://www.tvhistory.tv/1980-Philips-VPL700-LaserDiskPlayer.JPG Vinil versus CDs (No miolo da página). http://blog.estadao.com.br/blog/cruz/?cat=187
Escrito por Jonas às 07h06
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