As transmissões analógicas vão acabar?
Esta é uma pergunta que o titular do blog SBTVD PAL-M ainda não pode responder.
A primeira prova de fogo está prevista para fevereiro do ano que vem. Os EUA, país de dimensões continentais (como também é o Brasil) planejam desligar a TV analógica naquela data.
Vem tespestade por aí. Metade dos televisores dos americanos ainda não estão preparados para o apagão analógico.
Na maioria dos lares americanos, há ao menos um ponto ligado ao cabo, satélite ou antena externa. Os demais pontos usam antenas internas.
Não questiono a eficácia dos planos de transição do governo americano, bem ou mal está caminhando.
Questiono a eficácia de TODOS sistemas digitais frente à robustez dos tradicionais sistemas de TV analógicos: funcionam mal, mas funcionam.
Abro aqui um necessário parentesis...
Estive ontem na "Meca Eletrônica de S.Paulo", a Rua Santa Ifigênia . Pela primeira vez pude ver o SBTVD em ação numa sofisticada loja de áudio e vídeo, de esquina com a Av. Ipiranga.
Como tinha uma missão à cumprir, dei uma rápida olhada nas imagens de uma transmissão da Rede TV! A qualidade do material exibido no horário (9h local) era heterogênea: havia alternância na qualidade técnica-artístisca das imagens exibidas, tanto em formato 9x16 como em 3x4. Ainda não há material digital de qualidade suficiente para suprir toda a programação
Fiz uma rápida pergunta ao balconista: eram tais imagens da TV digital terrestre ? SBTVD? A resposta foi lacônica: É digital...
Após o "giro" oficial de compras, voltei ao local, pois era quase onze horas da manhá e ainda me restava algum tempo para apreciar as vitrines. Exceto à primeira loja, todas outras exibiam imagens de DVDs.
Ao retornar a mesma loja, fiquei algum tempo observando a mesma TV. O trânsito havia aumentado, a atividade da cidade também, com isso a quantidade de interferência geral no setor aumentou.
A recepção da Rede TV! começou a falhar: desmoronamentos, travamentos de áudio e vídeo, cessação de imagens e mensagens digitais na tela: sem sinal! Percebi que alguém tentou fazer alguma coisa. Mudaram de canal (que serviu para comprovar que a recepção eram de canais de TV digitais abertos). A loja fixou o canal digital do SBT, que transmitia desenhos (em 3x4) para a garotada. A imagem estava firme, porém por se tratar de um conteúdo de baixa definição, nada pode ser verificado em favor da transmissão em TVD versus transmissão analógica em PAL-M.
Após esse prolongado e necessário parentesis, volto à questão dessa semana.
Como desligar o sistema analógico sem a garantia de continuidade do serviço de televisão, isto é, comunicação de massa?
Os EUA utilizam muito bem a TV a cabo para curtas e médias distâncias. Para médias e grandes distâncias, há o serviço de TV via satélite, pago (Não há o serviço em Banda C, como no Brasil). E ainda há o serviço da TV terrestre analógico, cujo alcance chega até 100 km das estações transmissoras urbanas.
Embora "digital" soe para muitos como sinônimo de excelência, essas técnicas funcionam bem em meios estáveis. Em meios hostis, a TV analógica, graças a enorme estabilidade sincrônica, redundância de imagens e robustez de áudio em FM, ainda superam o alcance da TV digital.
A natureza é analógica.
As ondas de rádio são analógicas, as correntes elétricas que trafegam nas linhas telefônicas são analógicas.
Curioso é saber que o computador precisa converter sinais digitais em analógicos para transmistir dados em linhas telefônicas discadas ou em portadoras de rádio-frequência...
Todos já devem ter ouvido discos de áudio "remasterizados". As imperfeições dos registros analógicos originais são "retocadas digitalmente". O resultado final surpreende. (Alguém já ouviu gravações de Carmen Miranda sem os chiados dos discos de 78 rpm gravados há mais de 60 anos?).
Um equipamento de estúdio usado desde os anos 1980 em reportagens externas é o TBC - Time Base Corrector, que utiliza técnicas digitais para retocar falhas por interrupção de comunicação ou em edições de imagens em videotapes analógicos.
O gancho da "remasterização digital" está sendo aproveitado por um grande fabricante de TVs: a Philips lançou esta semana televisores digitais que também recebem imagens analógicas e corrigem as imperfeicões desse tipo de recepção.
Essa é uma prova que os engenheiros holandeses desconfiam que a TV analógica vai ficar mais tempo no ar do que se imagina...
As técnicas de recuperação de imagens, como as de som são bem conhecidas no meio técnico. A TV Cultura está restaurando o seu histórico acervo com sucesso.
Transmissão por cabo, satélite, microondas é moleza. Transmissão de TV terrestre é infernal.
O desligamento da TV analógica é a prova de fogo que os EUA vão experimentar no ano que vem. Esse evento (se acontecer) responderá à nossa questão.
Escrito por Jonas às 10h38
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