Carro a ar: mais um "combustível de araque"? 
Por conta da (prolongada) crise energética, vez ou outra surgem "soluções técnicas milagrosas", alvos da (sensacionalista) mídia televisiva e suas derivadas. A "bola da vez" é o carro a ar. 
Apesar de meu ceticismo crônico sobre "novas fontes de energia", vejo o carro "a ar" como uma promissora alternativa de ECONOMIA de energia nos transportes. O motor que move o carro "a ar" é do tipo pneumático. Você já deve ter experimentado uma dessas engenhocas desde a cadeira de paciente, em seu dentista. O desagradável e ruidoso motorzinho que aciona as brocas dentais usa a tecnologia pneumática. A pneumática é a tecnologia baseada no ar comprido. A energia pneumática não é muito comum na natureza (exceto nos intestinos dos animais), mas pode ser obtida através de compressores elétricos ou térmicos. O ar comprimido pode ser armazenado em vasos sob alta pressão, distribuido através de tubos e convertida em energia mecânica através de motores pneumáticos dos mais diversos tipos: a jato (como o das figuras acima), turbinas, palhetas rotativas (como o motorzinho do dentista) e de pistões alternativos. Mas, aí surge o primeiro problema: qual será a energia utilizada para mover o compressor que encherá o tanque de seu carro a ar? A tomada de força da sua casa? Ao analisar o consumo de energia elétrica no Brasil, temos aproximadamente a seguinte situação: Indústria: 60 % Comércio e Serviços: 30 % Habitação: 10% No caso da indústria, a situação é um pouco mais grave: nos momentos de sobrecarga elétrica (quando os consumidores residenciais ligam todos os chuveiros), muitas delas precisar acionam geradores diesel para suprir a energia insuficiente da rede elétrica. Alguém ainda se lembra do recente apagão energético brasileiro? Então o carro "a ar" é mais um golpe sensacionalista? Afortunadamente, não. A esmagadora maioria dos veículos em uso no mundo utilizam motores térmicos em ciclo Diesel e Otto, à base de óleo mineral, gasolina e os combustíveis alternativos, como o alcool e o gás natural. Os motores térmicos usados em veículos, por si só, não atingem rendimento máximo, ou seja: PERDEM muita energia, em forma de calor, atrito, ruído e excedentes químicos. A hibridização da tecnologia térmica e pneumática permitirá a criação de veículos mais econômicos e menos poluentes. Os motores pneumáticos regeneram energia nas grandes ladeiras, dispensam o uso de freios na redução de velocidades, pois realimentam o reservatório de ar comprimido nessas condições. Essas máquinas são adequadas nas situações de grandes congestionamentos das metrópoles , nas quais os motores térmicos rendem "zero quilômetro de percurso por tanque de combustível consumido" e agravam a situação da poluição. O nó a ser desatado não é a hibridização dos veículos térmicos, mas o desafio de conversão da própria indústria automobilística na produção desses modelos. Os indianos ganharam "de graça" uma grande campanha mundial da mídia, ao abraçar essa idéia.Mas parece que estão mais interessados em vender carrinhos de baixo custo. Mais efeito estufa ? Há também a questão da segurança dos passageiros e pedestres: como conter uma formidável reserva de energia pneumática dentro de um vaso de pressão embarcado, sem o risco de explosão em caso de uma trombada? Seria necessário um assento ejetor e para-quedas para safar-se dessas situações? Crédito das Fotos Menino assopra carrinho http://sciencesquad.questacon.edu.au/ Carro de Corrida http://www.pocketmoneypicks.com/USERIMAGES/BALLOON%20CAR.JPG Matéria do "Fantástico" http://www.youtube.com/watch?v=yMBER_He5Ck Combustível de Araque http://sbtvd.anadigi.zip.net/arch2008-06-15_2008-06-21.html
Escrito por Jonas às 15h51
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|