Celular com TV vira "hit" na baixa renda ELVIRA LOBATO da Folha de S.Paulo, no Rio NATÁLIA PAIVA colaboração para a Folha de S.Paulo 
crédito da foto: http://f.i.uol.com.br/folha/dinheiro/images/0918699.jpg Leia a íntegra da Reportagem e retorne ao nosso blog: http://www1.folha.uol.com.br/folha/dinheiro/ult91u590917.shtml A matéria chega ser irônica. O sinal que estes aparelhinhos pegam é da TV analógica! Enquanto os cartolas da TV e das operadoras de telefonia não se entendem, a fim de estruturar uma imensa rede de repetidoras celulares para a TV móvel pelas cidades, aparelhos baratos, de fabricação chinesa, vão inundando o mercado! Isso me fez lembrar de um comentário que enviei ao "Observatório da Imprensa", na semana em que foi publicado o polêmico "Cordel da TV digital" de Luciana Rebelo (26/2/2006), uma forma curiosa de crítica aos rumos que tomava a o projeto de TV digital do Brasil, antes da decisão final. O Cordel foi motivo de mal-estar entre o Ministro das Comunicações e o Ministro da Cultura. Nessa botija, não ponho a mão. Abaixo, reproduzo apenas parte do meu comentário, que tem relação direta com a pauta de hoje do Blog SBTVD PAL-M. Abraspas Parece que o debate sobre TVD vai ter de passar por um marco regulatório. Ao meu entender, isso é muito justo. A TVD é um projeto de Estado, deve ser costurado com todos os agentes da sociedade (inclusive o povo), sem atropelos. Filosofando um pouco sobre a física e tecnologia, me veio à mente algo que ainda não tive o prazer de constatar. Já vi várias tabelas de comparação entre sistemas digitais, mas nenhuma em comparação desses sistemas em relação a qualquer sistema analógico.
Meu desconfiômetro pergunta: por que será? Um dos motivos que tornam os sistemas digitais mais robustos são os recursos de redundância, isto é, repetições (temporal ou espectral) e diversidade espacial (na transmissão ou recepção), com o uso de duas antenas [finado SORCER*, ou mais] separadas no espaço. Mas, sem considerar a confrontação TV analógica versus TV digital, sabemos que o sinal analógico degrada à maneira em que se distancia da torre transmissora, em função do enfraquecimento do sinal. No entanto são comuns relatos de captura de sinais de TV analógica com razoável qualidade a longa distância (40 a 60 km) usando-se apenas antenas internas. O que torna então, o sinal analógico "tão robusto"? Em primeiro lugar, as potências utilizadas pelas emissoras analógicas são maiores que as digitais. Em segundo lugar, por mais paradoxal que possa parecer, nada é mais redundante que uma emissão analógica! A imagem é atualizada a cada 1/30 de segundo, de modo que pouca coisa muda entre um quadro e outro. Em função dessa "redundância natural", parte do ruído (algo em torno de 40%) se anula matematicamente durante a renovação das imagens! *SORCER - Sistema OFDM com Redução de Complexidade por Equalização Robusta, projeto da PUCRS, como colaboração ao finado SBTVD, genuinamente nacional. . . . Fechaspas Chegamos ao ponto: robustez. As técnicas digitais de tratamento de imagens analógicas são bem antigas. Na década de 1980, havia um equipamento de estúdio chamado "TBC" - time base correlator, uma espécie de "maquiador digital de sincronismo", que corrigia falhas de sincronismo na mesa de edição de TV, quando diversas fontes de imagens, tais como: filmes, vídeos, links remotos e câmaras tinham de entrar na programação sem provocar "choques" na imagem final. Recentemente, a TV Cultura vem "digitalizando" todo o acervo produzido nos últimos 40 anos. Imagens em preto-e-branco são "realçadas" e as imagens "desbotadas" tem suas cores revigoradas com técnicas computacionais. Em áudio, a coisa é mais "antiga". Músicas de Carmen Miranda, registradas em discos de baquelite de 78 RPM, são apuradas por modernas técnicas digitais de filtragem, têm a qualidade sonora superior àquela obtida na ocasião da gravação! Fico me perguntando sobre a estruturação celular da TV digital móvel: Ela é necessária? Os aparelhinhos chineses, "hit nas classes baixas", tem o sinal de TV analógica (serial) convertido para digital (matricial) para que as telinhas de LCD funcionem. Se essas "coisinhas" usarem as mais modernas técnicas de maquilagem digital, podemos esquecer o sistema ONE SEG japonês. A TV analógica-digital, móvel e portátil, está pronta.
Escrito por Jonas às 05h43
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